sábado, 31 de outubro de 2009

Booktrailer: Vem aí a República, de Joaquim Romero Magalhães (Edições Almedina)


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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Bíblia interactiva

A Glo é uma Bíblia interactiva, complementando a Bíblia tradicional com imagens em alta resolução e vídeos de viagens virtuais. Ver aqui e aqui.

Cabo Verde ratifica Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico

«O governo cabo-verdiano ratificou o Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, com efeitos retroactivos a 01 deste mês, pondo termo a dúvidas quanto à sua aplicabilidade em Cabo Verde.» Ler no Público.

Stephen King escreve livro de banda desenhada

«O escritor de contos de horror Stephen King estreia-se na banda desenhada com uma série a ser lançada na próxima Primavera, sobre um distinto vampiro americano, movido a energia solar.» Ler no Público.

Noddy regressa em livro no 60º aniversário

«Noddy, o boneco animado criado por Enid Blyton há 60 anos, volta às livrarias com Noddy and the Farmyard Muddle, escrito pela neta do falecido autor, Sophie Smallwood.» Ler no Público.

Pierre Michon vence Grande Prémio da Academia Francesa

«Les onze, de Pierre Michon, um relato ambientado nos anos do Terror da Revolução Francesa, foi distinguido com o Grande Prémio da Academia, o galardão com que abre a temporada de recompensas literárias em França.» Ler no Diário Digital.

Cartas de Byron vendidas por 310 mil euros

«Quinze cartas e outros documentos do poeta britânico Lord Byron, incluindo uma missiva escrita em Portugal, foram vendidos por cerca de 310 mil euros, anunciou a leiloeira Sotheby´s.» Ler no Diário Digital.

Nook promete ser forte concorrente ao kindle

A Barnes & Noble anunciou que o seu eReader, o Nook (ver aqui e aqui), é o produto com o desempenho de venda mais rápido. Ler aqui.

Maçons apresentam O Símbolo Perdido, de Dan Brown

«Homens livres e de bons costumes, os maçons são retratados no novo livro de Dan Brown. Dois especialistas apresentaram em Lisboa o romance na noite em que ficou à venda.» Ler no Público.

Ciclo de Cinema e Literatura

Decorre o Ciclo de Cinema e Literatura no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, até 14 de Novembro. Esta iniciativa faz parte do «Seminário Saber Europa» e é organizada pela Europa Viva, Associação Europeia para a Criatividade. Os filmes escolhidos para o ciclo são O Tambor, Guerra e Paz, Os Miseráveis, D. Quixote e O Pianista. Após o visionamento de cada filme, Lauro António modera uma palestra sobre a obra literária e a respectiva adaptação cinematográfica. Ler mais aqui. Via Animal Civilizado.

Dan Brown bate Saramago e Rodrigues dos Santos no primeiro dia

«Há seis anos, Dan Brown vivia no anonimato, num bloco de apartamentos à beira-rio em Exeter (New Hampshire), sua terra natal. Ontem, no lançamento da versão portuguesa do seu último livro, O Símbolo Perdido (Bertrand Editora), venderam-se mais de 6500 unidades, nas lojas Fnac, Bertrand e Galp, as únicas que estavam autorizadas no primeiro dia.» Ler no jornal i.

«O livro O Símbolo Perdido, do escritor norte-americano Dan Brown, lançado ontem no mercado nacional, vendeu cerca de três mil exemplares na rede de livrarias Bertrand e lojas da Galp, indicou uma fonte do grupo Bertelsmann em Portugal.» Ler no Público.

«ADN – Agustina Desígnio Nacional» na FNAC - Chiado

Decorre amanhã a 4.ª sessão de debates de «Agustina na FNAC». O projecto «ADN – Agustina Desígnio Nacional» procura homenagear Agustina Bessa-Luís, consagrando-a como uma das maiores escritoras vivas de língua portuguesa. Subordinado ao tema «Os Aforismos de Agustina», o debate de hoje contará com a participação de Pedro Mexia, José Manuel dos Santos e Maria Helena Padrão, sendo moderado por Helena Vasconcelos. Às 19h, na FNAC dos Armazéns do Chiado, em Lisboa.

Amazon lançará programa para ler livros do kindle no computador

A Amazon anunciou que lançará um programa que permitirá a leitura de livros do kindle em PCs e MACs. O programa ainda não tem data prevista de lançamento, mas foi anunciado que será gratuito. Ler aqui.

Opinião: Uma espécie de paraíso demasiado distante, por Margarida Ferra

UMA ESPÉCIE DE PARAÍSO DEMASIADO DISTANTE,
por Margarida Ferra (*)

Tenho passado umas boas horas da minha vida a arrumar livros. Primeiro, aprendi a ordená-los por tamanhos, numa escada atabalhoada com o empenho e a solenidade que as crianças põem nas primeiras tarefas. Eram os meus livros. Havia mais livros infantis em casa, mas não eram meus, eram muito mais bonitos e pareciam eternamente novos, eu só podia mexer-lhes com autorização. Mas lembro-me ainda hoje da cor e do tamanho das lombadas e do lugar preciso que ocuparam, durante anos, a estante da sala. O que quer dizer que aquele era o sítio daqueles livros – os livros para pequeninos que pertenciam aos crescidos.

Quando trabalhei em livrarias, os títulos eram arrumados no menos mau dos sistemas de classificação. Numa lógica que pudesse ser facilmente deduzida por todos os outros colegas, ou mesmo por um cliente mais atento e audaz. Ficção em língua portuguesa, ficção traduzida, poesia, BD, infantil, livro técnico e apoio escolar, tudo arrumado como dava jeito, porque o mobiliário nem sempre se adequa à oferta, que, como bem sabe o leitor, varia com a época do ano. Foi nessa fase da vida que apurei o meu sentido localizador de livros perdidos: outra vez a memória da espessura da lombada e as cores, e o mais básico dos truques – conhecer de cor os logótipos de todas as chancelas. E saber que, quando não estão organizados por ordem alfabética segundo o apelido do autor, o mais provável é estarem arrumados por editora, o mesmo alfabeto a distribui-las na estante. Se assim não for e se os livreiros forem expeditos, estarão alinhados lado a lado com os outros do mesmo distribuidor, numa ordem silenciosa que só os profissionais do sector dominam e que se justifica pelo comodismo na hora das devoluções.

Em casa a matéria persegue-me. Várias mudanças depois, as «Billy» acolhem os volumes que têm vindo a tomar conta do apartamento. Gosto de pensar na melhor classificação para arrumar os livros, simplificar a procura, dar cor às estantes, saber ao certo onde vai ficar cada novo título que chega. Na cozinha, os de receitas. No quarto das crianças, os que lhes pertencem. O outro quarto de dormir recebe duas mesas-de-cabeceira, que são estantes de leituras prometidas, em curso, eternamente adiadas, edições únicas e especialíssimas. E mais estantes com álbuns, BD, edições várias das Alices do Carroll e tudo o que restou da minha infância. Na sala, poesia portuguesa – a secção mais difícil de arrumar dada a espessura da lombada, mínima, e que muitas vezes não traz informação –, poesia estrangeira (traduzida ou não), ficção em português. No corredor: teatro, ficção estrangeira (traduzida ou não), livros sobre livros, biografias de escritores, revistas, literatura de viagens (dos guias a Theroux), livros sobre xadrez e uma colecção de ficção científica. No escritório: ensaio, crónica e toda a não-ficção que não coube em mais lado nenhum.

É um sonho poder criar um sistema de raiz, à medida de quem o usa, e aplicá-lo. Mas, como todos os sonhos, nada disto passa deste texto e de uma outra anotação, de várias conversas e instruções aos restantes utilizadores. Da mesa pequena que supostamente recebe novidades – que, depois de apreciadas e conhecidas, deviam encontrar o seu lugar na estante –, mal se vêem as pernas, o tampo adivinha-se. No escritório, as secretárias estão imersas. As «Billy» da sala e do corredor suportam com dificuldade uma fila dupla de novos títulos que, em comum, têm letras na lombada, numa completa perversão da ordem que ocultam. Inalcançável, um paraíso de que nunca sou merecedora, uma biblioteca organizada que revela sem exibir e que liga os livros uns aos outros por linhas invisíveis na primeira visita.

(*) Margarida Ferra tem 32 anos e é licenciada em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou numa pizzaria, num jornal, numa galeria de arte contemporânea, em duas livrarias e no Palácio da Ajuda. É responsável, desde Janeiro de 2009, pela área de comunicação da Quetzal Editores.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

As três piores capas de sempre em Portugal

No seu blogue, a livraria Pó dos Livros apresentou a longlist das dez piores capas, abrindo-se o processo de votação. Veja as capas «vencedoras» aqui, e a longlist aqui.

Novo livro de José Saramago atinge quarta edição

«O novo e polémico livro de José Saramago, Caim, atingiu já a quarta edição, com um total de 80 mil exemplares colocados até hoje no mercado nacional. O lançamento aconteceu há 10 dias, no festival Escritaria, em Penafiel.» Ler no jornal i.

Polémica Caim, por Pilar del Río

«Li várias vezes, traduzi-o inclusive para castelhano, o último romance de José Saramago, Caim, uma fábula humana, tão humana que pensei que iria provocar perguntas humanas. Para minha surpresa, tal não ocorreu. De imediato, uma parte da sociedade começou a falar de Deus e da Bíblia, corrente de ar fresco que se agradece se tivermos em conta o teor de outras polémicas, mas ninguém assinalou o que do meu ponto de vista é essencial neste livro: que o género humano não é de fiar. Sim, os seres racionais, os que levantam edifícios, constroem pontes e compõem sinfonias, esses mesmos que declaram guerras por um território, por um capricho, por uma bandeira ou por um Deus nasceram loucos e loucos continuam a viver tantos milénios depois de Adão e Eva ou do Big Bang, chame-lhe cada um o que queira. Só a gente sem sentido se pode atribuir a autoria das fábulas religiosas que povoam a terra até aos dias de hoje, porque todas as civilizações se organizam em volta de uma divindade e todas elas se baseiam no sacrifício e no sangue. Se é verdade que em Creta o ritual levava donzelas virgens ao minotauro, e que as civilizações pré-colombinas realizavam sacrifícios humanos para aplacar a ira dos deuses, como tantos povos africanos, o ranking da exigência sacrificial é ganho pela religião que apresenta o seu próprio Deus executado numa cruz após ter padecido terríveis torturas que o levaram até a suar sangue.» Ler no Diário de Notícias.

Dez autores distinguidos nos Prémios Literários Whiting

«Dez escritores emergentes de vários países, do Vietname aos Estados Unidos, vão receber 50 mil dólares no âmbito dos Prémios Whiting para Escritores, atribuídos pela Fundação Giles Whiting.

Os galardões, atribuídos anualmente desde 1985 a autores que manifestem «um talento excepcional e uma carreira promissora», vão desta vez para o escritor de ficção vietnamita Vu Tran, que agora vive em Las Vegas, e para o poeta Jay Hopler, nativo de Porto Rico e a residir na Florida.» Ler no Diário Digital e no Público.

Fãs podem criar BD da «Turma da Mônica» em site oficial

«Agora o público já pode assinar a autoria de histórias de banda desenhada com as personagens da "Turma da Mônica", de Maurício de Sousa, através do site Máquina de Quadradinhos.» Ler no Diário Digital.

Finalistas do Prémio Goncourt

Foram anunciados os finalistas do Prémio Goncourt. O vencedor será anúnciado no próximo dia 2 de Novembro.

Apresentamos a lista de finalistas:
Des hommes, de Laurent Mauvignier (ed. Minuit)
Trois femmes puissantes, de Marie Ndiaye (ed. Gallimard)
La vérité sur Marie, de Jean-Philippe Toussaint (ed. Minuit)
Les heures souterraines, de Delphine de Vigan (ed. JC Lattès)

Ler aqui.

Jornal i publica inéditos de Fernando Pessoa

«Fábula: diálogo de um católico com um cristão em 1932. O primeiro de uma série de textos inéditos de Fernando Pessoa que o i vai publicar todas as semanas até 31 de Dezembro.» Ler no jornal i.

O fim do site Soitu.es

«Pensaram um novo jornalismo online, mas o director do jornal El Mundo Pedro J. Ramirez não gostou. Há três anos demitiu a equipa, e abriu caminho ao site Soitu.es, que tentou continuar o projecto de vanguarda, de forma independente, com o patrocínio do Banco BBVA. Esta semana o projecto morreu e ontem foi enterrado em Madrid.» Ler no jornal i.

Astérix: mais 50 anos a bater nos romanos

«À hora anunciada, Albert Uderzo chega com a mulher. No pátio interior do Museu de Cluny, a um passo da Sorbonne e a dois da Catedral de Notre-Dame de Paris, uma pequena horda de jornalistas e operadores de câmara aguarda o criador e desenhador de Astérix.» Ler no Público.

Polémica Caim, por Guilherme Valente

Apresentamos aqui a versão final integral do comentário do editor Guilherme Valente sobre José Saramago, publicado no jornal Região de Leiria.

«Saramago é, quanto a mim, um escritor engenhoso, mas elementar e muitas vezes habilmente lamecha, que, em termos de ideias, escreve e fala para um público pouco culto, desprevenido criticamente, cuja ignorância explora, para cujos juízos mal informados, sectários ou primários apela, obscurecendo, em vez de iluminar. Público de «esquerda» ou de «direita», crentes ou ateus, como muito expressivamente revelam a grande maioria das intervenções que a propósito deste seu livro se ouviram, designadamente nos programas abertos aos ouvintes da rádio e da televisão.

Quando fala da Bíblia, de ciência, das viagens de exploração do Universo, ou de Castro, ou de tantas outras matérias sobre as quais, sempre no mesmo tom teocrático, diz regularmente enormidades, a minha dúvida é se ele é mesmo tão limitado culturalmente como parece, ou se não se tratará de um sacrifício pulsional da inteligência e do conhecimento. Ou será antes (como pressenti quando um dia o ouvi falar, com suspeito descontrolo, sobre «O Evangelho Segundo Jesus Cristo») a manifestação freudiana de um recalcado remorso... que, se assumido, poderia ser redentor?

A Bíblia é um grande livro, tão grande que não deixa de interpelar/inquietar Saramago (que, aliás, também tem mostrado saber viver dele). Mas quantos outros grandes livros não lançou já, significativamente, Saramago na fogueira?

Insuportável é ouvi-lo vitimizar-se com as reacções à sua própria intolerância. Para este Nobel - imagine-se! - tolerância é a aceitação calada pelo outro das posições, mais do que discutíveis ou mesmo estúpidas, com que o provoca. Sem que conceda ao outro reagir, nem mesmo apenas à violência e desumanidade (sem qualquer qualidade literária ou estética) da forma e dos termos que utiliza.

E é preciso ter «lata» ou ser mesmo «cego» para que alguém que fez o que ele fez, defende o que defende e diz o que diz se tenha referido, na conversa com o bom Padre Tolentino Mendonça, ao que lhe sucederia se estivéssemos no tempo das «fogueiras de São Domingos». É que fogueiras houve várias, e se estivéssemos num tempo de fogueiras, estou convencido que seria o Padre Tolentino Mendonça quem seria lançado nelas. Que grande lição deu, de cultura, abertura de espírito e de generosidade, admirável generosidade por não ter «esmagado» Saramago, como poderia. Se perguntássemos a alguém que não soubesse quem era o Nobel, ninguém diria, certamente, pelas ideias, a humanidade e a visão do mundo em confronto, ser Saramago.»

Cancelado: Os livros que estou a ler, com Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada - Casa Fernando Pessoa

Informamos que este evento foi cancelado «por motivos alheios à Casa Fernando Pessoa».

Romance de Chico Buarque publicado em vários países da europa

«O romance de Chico Buarque Leite Derramado, editado este ano em Portugal pela Dom Quixote, foi vendido em Frankfurt para ser publicado em França (na Gallimard), em Inglaterra, nos Estados Unidos e na Alemanha. Luiz Schwarcz, presidente e editor da brasileira Companhia das Letras, disse ao P2 em Frankfurt que o romance já tinha sido vendido para ser traduzido em Itália (Feltrinelli) e em Espanha (Salamandra). A agência literária Rogers, Coleridge & White Ltd representa o escritor brasileiro em conjunto com a Companhia das Letras e na tradução inglesa o título vai ser: Spilt Milk.» Ler no Ciberescritas.
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Livrarias Almedina no seu telemóvel

As livrarias Almedina disponibilizam um novo serviço onde é possível consultar a localização das livrarias, assim como efectuar a pesquisa de livros e respectiva disponibilidade. Ver aqui. Via Bibliotecário de Babel.

Diário da Feira do Livro de Frankfurt 2009: O balanço de Isabel Coutinho

«A Feira do Livro de Frankfurt foi uma feira de remakes. Desapareceram os livros de celebridades mas continuam os vampiros e os autores de policiais escandinavos. Uma feira mais calma fez com que se desse mais importância a autores literários» Ler na íntegra aqui.

China proíbe literatura «pornográfica» na Internet

«As autoridades chinesas censuraram desde Janeiro passado 1414 obras literárias colocadas online, devido ao seu conteúdo “pornográfico”, noticiou a Administração Geral de Imprensa e Publicações da China.» Ler no Público.

Novo livro de Dan Brown está à venda a partir de amanhã

«Intitulada O Símbolo Perdido, a tradução portuguesa do novo livro do escritor Dan Brown, conhecido pelo best-seller O Código Da Vinci, estará nas livrarias a partir da meia-noite de hoje.» Ler no Público.

Booktrailer: O Mundo Branco do Rapaz-Coelho, de Possidónio Cachapa (Quetzal)

Dan Brown passa o milhão de livros

«O Símbolo Perdido, o novo livro de Dan Brown, chega hoje às livrarias portuguesas e algumas vão abrir especialmente à meia-noite. São os casos das lojas Bertrand, FNAC e Tangerina (Galp).» Ler no Correio da Manhã.

O Astérix festeja 50 anos de caça ao javali e lutas contra os romanos

«Astérix e Obélix começaram a bater em romanos e a caçar javalis há exactamente 50 anos, num tempo em que a banda desenhada estava longe da dimensão que viria a alcançar e ninguém conseguia antecipar o sucesso estrondoso dos "irredutíveis gauleses".» Ler no jornal i.

«ADN – Agustina Desígnio Nacional» na FNAC - Chiado

Decorre hoje a 3.ª sessão de debates de «Agustina na FNAC». O projecto «ADN – Agustina Desígnio Nacional» procura homenagear Agustina Bessa-Luís, consagrando-a como uma das maiores escritoras vivas de língua portuguesa. Subordinado ao tema «Agustina e as Relações de Poder», o debate de hoje contará com a participação de Lídia Jorge, Filipa Melo e Miguel Real, sendo moderado por Helena Vasconcelos. Às 18h30, na FNAC dos Armazéns do Chiado, em Lisboa.

Histórias de canções – Chico Buarque entra no top de vendas no Brasil

Histórias de canções – Chico Buarque, de Wagner Homem, uma das primeiras obras publicadas pela LeYa no Brasil, entrou para a terceira posição do Top de livros mais vendidos, da revista Veja.

Opinião: Picture Books: Mais do que livros com imagens, por Carla Maia de Almeida

PICTURE BOOKS: MAIS DO QUE LIVROS COM IMAGENS
Carla Maia de Almeida (*)

Não há muito tempo, tive o desprazer de ouvir uma conhecida autora e ilustradora referindo-se em público a «esses livros com pouco texto» com um desdém notável. «Livros com pouco texto» são aqueles que se escrevem «enquanto se lava a louça», para dar o seu próprio exemplo – a não seguir. Em bom rigor, teremos de lhes chamar picture books ou álbuns, consoante se prefira a terminologia da escola anglófona ou francófona. Opto pela primeira, por razões geracionais e não só.

É verdade que os picture books, ou picture story books, têm pouco ou mesmo nenhum texto. A brevidade faz parte da sua natureza, à semelhança dos aforismos e ao contrário das epopeias. Nada a fazer a esse respeito. Com muito texto, é provável que entrem na categoria de livros ilustrados, mas não de picture books. Não sendo as fronteiras entre uns e outros totalmente estanques nem isentas de controvérsia, há um critério fundador a ter em conta: os picture books distinguem-se pela relação sempre indissociável entre texto e ilustração, assentando normalmente num esquema de leitura de página dupla (double-page spread), marcado pela tensão dramática e pela expectativa em relação ao que vem a seguir.

Um bom picture book não mostra tudo; antes sugere e provoca inferências de significado, estimulando a capacidade de interpretação da criança e de qualquer leitor. Mais do que uma relação forte, palavras e imagens desenvolvem uma relação de forças, no sentido em que se gera uma tensão criativa entre as duas linguagens, longe da mera função complementar do livro ilustrado tradicional. Em vez de se limitar a reproduzir em imagens o que já é dito por palavras, um bom picture book acrescenta informação ao texto, podendo mesmo subvertê-lo com a inclusão de efeitos irónicos, ambíguos ou incongruentes. Quando escritor e ilustrador se libertam do ego e do complexo competitivo, esta tensão criativa costuma dar origem a livros admiráveis. O mesmo acontece quando escritor e ilustrador são um só, sendo a competição mais fácil de gerir nesse caso. Last but not least, o design, o grafismo e a concepção editorial contribuem para o enriquecimento do que pode ser uma obra de arte global, talvez a primeira a que a criança tem acesso fácil.

Peter Hunt, professor da Universidade de Cardiff e um nome de referência nestas matérias, considera que o picture book será o único contributo – genuíno e original –, para o campo literário em geral, da literatura para crianças. Seria bom ver mais editores portugueses a interessarem-se por este amplo mercado, ainda muito preenchido por traduções de qualidade oscilante. E também escritores, ilustradores e designers gráficos ou directores de arte, já que todos têm um papel determinante no conjunto do processo criativo. Ainda há um juízo de valor implícito na apreciação dos picture books, como se os livros ilustrados não pudessem ser também literatura. Como se um escritor de livros para crianças provasse o seu talento seguindo o ritmo do contador de caracteres. Convenhamos: se escrever pouco e bem fosse fácil, os melhores publicitários não seriam tão generosamente remunerados. Grandes ideias podem surgir «enquanto se lava a louça», mas fazer um bom picture book dá mais trabalho do que parece.

(*) Jornalista freelancer, é colaboradora das revistas LER, Notícias Magazine e Notícias Sábado. Licenciada e pós-graduada em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa, tem uma pós-graduação em Livro Infantil pela Universidade Católica Portuguesa. Na Caminho, publicou O Gato e a Rainha Só, Não Quero Usar Óculos e Ainda Falta Muito?. Escreve sobre livros e não só no blogue O Jardim Assombrado. Nasceu em Matosinhos a 12 de Janeiro de 1969.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Caim de José Saramago lidera vendas online no Brasil

«O último livro de José Saramgo, Caim, saltou para o topo das vendas de obras de ficção nas livrarias brasileiras on-line, na primeira semana, no maior mercado mundial de língua portuguesa.» Ler no Diário Digital.

Companhia das Letras com novo website e no twitter

Consulte aqui o novo website da editora brasileira Companhia das Letras e siga-o no twitter aqui.

Polémica Caim, por Richard Zimler

«Quando José Saramago decidiu espevitar o interesse pelo seu último livro afirmando que "a Bíblia é um manual de maus costumes", a minha primeira reacção - como escritor e como alguém de há muito tempo dedicado aos estudos de religião comparada - foi rir-me para comigo e murmurar "e depois?".» Ler no Ípsilon.

Novo número da Colóquio/Letras já disponível nas livrarias

O novo número da revista Colóquio/Letras já está disponível nas livrarias. A publicação retoma agora uma periodicidade quadrimestral, adoptando um formato mais reduzido. Eduardo Lourenço pertence ao novo Conselho Editorial da revista, onde estão representados países lusófonos, assim como universidades nacionais. Segundo editorial deste número, «Pretendemos uma revista atenta às transformações do presente, e em que o diálogo com leitores e colaboradores tenha uma expressão dinâmica.»

Jane Friedman entrevistada online

Jane Friedman, CEO da OpenRoad Integrated Media LLC e ex-CEO da HarperCollins Publishers Worldwide, dará uma entrevista online à revista Book Business. É possível assistir gratuitamente, sendo apenas necessário registar-se aqui. A entrevista faz parte do evento «Publishing Business Virtual Conference & Expo: Digital Content Day at Your Desk», estando prevista para as 10h30 (horário americano, Eastern Time) do próximo dia 29. Ver mais aqui.

Polémica Caim, por Pedro Vieira


Imagem retirada daqui.

«ADN – Agustina Desígnio Nacional» na FNAC - Chiado

Decorre hoje a 2.ª sessão de debates de «Agustina na FNAC». O projecto «ADN – Agustina Desígnio Nacional» procura homenagear Agustina Bessa-Luís, consagrando-a como uma das maiores escritoras vivas de língua portuguesa. Subordinado ao tema «Os Homens e as Mulheres em Agustina», o debate de hoje contará com a participação de Inês Pedrosa, Francisco José Viegas e Patrícia Reis, sendo moderado por Helena Vasconcelos. Às 18h30, na FNAC dos Armazéns do Chiado, em Lisboa.

Pais compram mais livros para as meninas, do que para os meninos

Pais com filhos do sexo feminino compram dez vezes mais livros infantis do que os pais com filhos do sexo masculino.

É essa a informação que Carla Maia de Almeida nos traz pelo seu Jardim Assombrado, indo buscar a informação ao inquérito britânico Reading for Life.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Novo livro de José Rodrigues dos Santos esgota primeira edição em 48 horas

«O novo romance de José Rodrigues dos Santos, Fúria Divina, esgotou a primeira edição (50 mil exemplares) em 48 horas. A segunda edição já está a ser impressa e a Gradiva garante que a mesma estará à venda ainda durante esta semana.» Ler no Diário Digital.

Wall Street Journal é o campeão de vendas de jornais nos EUA

«O Audit Bureau of Circulations, entidade que supervisiona a circulação dos jornais norte-americanos, divulga hoje os números relativos ao segundo trimestre do ano, mas, antecipando-se ao anúncio, o The Wall Street Journal já reclamou para si a posição cimeira na tabela dos jornais mais lidos nos Estados Unidos, com mais de dois milhões de exemplares por dia.» Ler no Público.

«ADN – Agustina Desígnio Nacional» na FNAC - Chiado

Começa hoje um ciclo de quatro conversas na FNAC - Chiado, em Lisboa. Os debates terão lugar até 31 de Outubro, sendo moderados por Helena Vasconcelos. O projecto «ADN – Agustina Desígnio Nacional» procura homenagear Agustina Bessa-Luís, consagrando-a como uma das maiores escritoras vivas de língua portuguesa.

Subordinado ao tema «As Artes de Agustina», o debate de hoje contará com a participação de Graça Morais, João Botelho e Mónica Baldaque. Às 18h30, na FNAC dos Armazéns do Chiado, em Lisboa.

Estratégias para o digital

Com o preço de 9,99 dólares praticado para o Kindle, da Amazon, alguns editores temem quebras em termos de venda de obras em capa dura e repensam a sua estratégia. A comprovar isso pode-se observar o adiamento do lançamento de algumas obras importantes no seu formato digital, de modo a potenciar as vendas das versões impressas das obras. Mais especificamente, temos o adiamento da última obra de Stephen King (Under the Dome), e do livro de memórias da ex-candidata a vice-presidente dos EUA, Sarah Palin (Going Rogue). Ler no The Independent.

Robert McKee dá seminários em Portugal

Robert McKee estará em Portugal nos próximos dias 13, 14 e 15 de Novembro, para apresentar os seminários «Genre Thriller», «Genre Comedy» e «Genre Love Story» no Teatro Aberto, em Lisboa. Ver mais aqui.

Entrevista a José Saramago

«É o escritor português mais polémico de todos os tempos. Se a reacção ao Evangelho segundo Jesus Cristo foi épica, a que Caim recebeu é digna de um cenário de guerra em que de um lado, pensa-se, estão os ateus e do outro, admite-se, situam-se os crentes. O debate ainda vai no início, como a leitura do livro...» Leia a entrevista publicada este domingo no Diário de Notícias, aqui, aqui e aqui.

Manoel de Barros na LeYa Brasil

O Grupo LeYa do Brasil anunciou a contratação da obra do escritor Manoel de Barros. Ao todo foram adquiridas 17 obras, uma delas inédita. Ler aqui.

LeYa no Festival Internacional de Banda Desenha da Amadora

A Asa estará presente na Amadora com um stand dedicado aos 50 anos da série Astérix, estando previstos diversos eventos e a presença dos «personagens».

Para além destas actividades, a Asa leva também ao Festival, para sessões de autógrafos, os autores José Ruy, Rui Lacas, Filipe Pina, Filipe Andrade, Ricardo Cabral, José Garcês, António Jorge Gonçalves, Emmanuel Lepage, Achdé, François Boucq, Alfonso Azpiri e Javier Isusi.

Opinião: O meu primeiro livro, por António Manuel Venda

O MEU PRIMEIRO LIVRO,
por António Manuel Venda (*)

Quase poderia escrever «há muito, muito tempo». Nessa altura, há muito, mesmo muito tempo, escrevi um livro de contos a que dei um título muito comprido: Quando o Presidente da República Visitou Monchique por Mera Curiosidade, o título de um dos contos. Guardo recortes de jornais dessa época, e nalguns o livro até aparece nos tops das livrarias, nunca em primeiro lugar, mas em certos casos em segundo, batido, se não estou em erro, por O Pesadelo de Obélix ou pelo Pequeno Livro de Instruções para a Vida. Podia ser pior…

O tempo passou. Habituei-me a que pouca gente conseguisse dizer o título correcto do livro; geralmente, as pessoas começavam por «o dia em que o presidente foi» e a seguir atiravam com os sítios mais diversos: Beja, Santarém, Moura, Silves, Setúbal… Metiam tudo e mais alguma coisa no título, tirando, já se adivinha, a minha terra (Monchique). Isso foi nos primeiros anos. Agora já não acontece muito, porque quando me falam no livro é mais para me dizerem que não o encontram: o meu primeiro livro, «o do título comprido». Às vezes, em sessões de autógrafos, aparecem pessoas com outros livros meus a perguntarem como poderão arranjar aquele, que não vêem em lado nenhum. Digo que não posso fazer nada, já que, depois de esgotadas as edições que foram feitas, só conseguirão se surgir uma nova oportunidade, porque entretanto mudei de editora. E ofertas é coisa que não posso fazer, porque a verdade é que me resta apenas um exemplar de cada uma das edições.

Um dia, nem foi há muito tempo, recebi um comentário no meu blogue; era alguém que tinha lido um dos meus livros (o romance O que Entra nos Livros). Dizia que o tinha comprado em Lisboa, «na Bulhosa do Campo Grande», isto depois de ter ido procurar «em duas livrarias da Bertrand». E que preferia ter começado por O Medo Longe de Ti, o romance que, de certa forma, dá origem ao que comprou, só que desse, nem sinal nas livrarias. Mas o problema até nem era grave… No comentário estava escrito: «Como faz um brevíssimo resumo desse livro, sempre minimiza o desconhecimento do passado.» E depois, uma pergunta: «A propósito, não estão previstas novas edições dos seus livros?» Neste caso, não havia uma referência ao primeiro, mas não consegui deixar de pensar nele, enquanto escrevia uma resposta a dizer que, de alguns dos títulos, por certo haveria livrarias com exemplares. O pior era mesmo em relação aos dos meus primeiros anos de escrita, que estavam dados como esgotados; no caso do primeiro livro devia ser mesmo impossível.

Ia todo lançado a escrever isto quando me lembrei de que a pessoa era do Sporting, como eu (no comentário aparecia também isto: «Estive lá, no meu lugar cativo de sofredor, e tive quase orgulho naquela equipa. Estou de acordo com as suas apreciações. Contudo, julgo que é um pouco injusto para com o Polga.»). Eu tinha escrito no blogue, a propósito de um jogo das competições europeias entre o Sporting e uma equipa suíça, que o defesa brasileiro Anderson Polga parecia «mesmo talhado para o desastre». E então fiz um acrescento à resposta, pensando ainda no primeiro livro. Falei de um golo célebre de António Oliveira com a camisola do Sporting, marcado em 1982 ao Dínamo de Zagrebe, num jogo da Taça dos Campeões Europeus disputado no antigo estádio José Alvalade. Oliveira marcou os golos todos do três a zero, depois de uma derrota por um a zero em Zagrebe por causa de um remate certeiro de um tipo com nome de detergente (Cerin). O golo célebre era o terceiro, com Oliveira a avançar pela direita e depois, em vez de fazer um centro, a atirar a bola de uma forma estranha para a baliza, num remate que parece ter sido feito com a sola. No fim do jogo, os jornalistas só lhe faziam perguntas sobre aquele golo, e ele acabou por comentar: «Quem viu, viu; quem não viu, já não vê mais!» Talvez eu possa dizer algo parecido sobre o meu primeiro livro: «Quem leu, leu; quem não leu, já não lê mais!» Mesmo o golo sendo do outro mundo, e o livro pertencendo a este em que vivemos.

(*) Nasceu em Monchique, em 1968. Publicou nove livros de ficção, sendo o último dos quais o romance Uma Noite com o Fogo. Destes, alguns receberam prémios literários de instituições como o Instituto Abel Salazar, o Centro Nacional de Cultura, a Câmara Municipal de Almada, a Secretaria de Estado da Cultura e a Sociedade Portuguesa de Autores. Mantém inéditos dois livros de histórias (O Bilhete do Senhor Scolari e Políticos, esses Animais) e uma primeira aventura de um pequeno super-herói chamado Zeca Zângão (Mandriões na Roda Gigante). Trabalha actualmente em diversos projectos de ficção. Vive no Alentejo e escreve no blogue Floresta do Sul.
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domingo, 25 de outubro de 2009

Nook, da Barnes & Noble





Retirado do Ciberescritas.
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sábado, 24 de outubro de 2009

Pré-publicação: A Dádiva, de Toni Morrison (Editorial Presença)

«Não tenhas medo. O facto de eu contar não pode magoar-te, apesar do que fiz, e prometo manter-me silenciosamente no escuro — chorando, talvez, ou vendo ocasionalmente, uma vez mais, o sangue —, mas nunca mais estenderei os meus membros para me levantar e expor os dentes. Eu explico. Podes considerar o que te digo uma confissão, se quiseres, mas uma confissão repleta de curiosidades, familiares apenas em sonhos e durante aqueles momentos em que o perfil de um cão brinca no vapor de uma chaleira. Ou quando uma boneca feita de maçaroca sentada numa prateleira não tarda a estatelar-se no canto de uma sala e o perverso de como lá foi parar é evidente. Coisas mais estranhas acontecem a toda a hora e em toda a parte. Tu sabes. Eu sei que sabes. Uma pergunta é: "Quem é o culpado?" Outra é: "Sabes interpretar?" Se uma pavoa se recusa a chocar, interpreto isso rapidamente e, podes crer, nessa noite vejo a minha mãe de mão dada com o seu filho pequeno e os meus sapatos a encher-lhe a algibeira do avental. Outros sinais exigem mais tempo para serem compreendidos. Frequentemente há demasiados sinais ou um bom presságio ensombra-se demasiado depressa. Eu separo-os e tento recordar, mas sei que me está a escapar muito, como não interpretar a cobra do jardim rastejando até acima da soleira da porta para morrer. Deixem-me começar por aquilo de que tenho a certeza.

O princípio começa pelos sapatos. Em criança, nunca me habituei a andar descalça e sempre pedi sapatos, os sapatos de toda a gente, até nos dias mais quentes. A minha mãe, a minha mãe, tem a testa franzida, está cansada daquilo a que chama as minhas manias vaidosas. Só as mulheres más usam saltos altos. "Eu sou perigosa", diz, "e traquinas", mas compadece-se e deixa-me usar os sapatos postos de parte da casa da Senhora, de biqueira pontiaguda, com um salto alto partido, o outro gasto e uma fivela no peito do pé. Como consequência disso, afirma Lina, os meus pés são inúteis, serão sempre demasiado delicados e nunca terão as solas fortes, mais resistentes do que couro, que a vida exige. Lina tem razão. Florens, diz, é 1690. Quem mais, hoje em dia, tem as mãos de uma escrava e os pés de uma dama portuguesa? Por isso, quando saio para ir ter contigo, ela e a Mistress dão-me as botas do Sir, que são próprias para um homem e não para uma rapariga. Enchem-nas de feno e oleoso folhelho de milho e dizem-me que esconda a carta dentro da minha meia — sem querer saber da coceira causada pelo lacre. Sei ler, mas não leio o que a Senhora escreve e a Lina e Sorrow não sabem ler. Mas sei o que significa para dizer a quem quer que me detenha.

A minha cabeça está oca, da confusão causada por duas coisas: desejo de ti e medo de me perder. Nada me assusta mais do que este recado e nada é mais tentador. Desde o dia em que desapareceste que sonho e maquino. Saber onde estás e como estar lá. Quero correr pela trilha entre as faias e os pinheiros brancos, mas pergunto-me para que lado? Quem mo dirá? Quem vive no ermo entre esta quinta e ti, e quem quer que seja ajudar-me-á ou far-me-á mal? E os ursos sem ossos do vale? Lembras-te? Como, ao moverem-se, as pelagens oscilam como se não houvesse nada por baixo. O seu cheiro contrariando a sua beleza, os seus olhos conhecendo-nos de quando éramos também animais. Tu a dizeres-me o motivo por que é fatal olhá-los nos olhos. Eles aproximam-se, correm para nós em busca de amor e brincadeira e nós interpretamos mal e retribuímos com medo e cólera. Também lá fazem ninho aves gigantes, maiores do que vacas, como Lina diz, e nem todos os nativos são como ela, avisa, por isso, cuidado. Uma selvagem que reza, chamam-lhe os vizinhos, porque ela vai pouco à igreja e no entanto toma banho todos os dias e os cristãos nunca. Usa brilhantes contas azuis por baixo da roupa e dança em segredo ao nascer da primeira luz, quando a lua é pequena. Mais do que temer amar ursos ou aves maiores do que vacas, temo a ínvia noite. Como, interrogo-me, posso encontrar-te no escuro? Agora, finalmente, há um caminho. Tenho ordens. Está combinado. Verei a tua boca e arrastarei os dedos para baixo. Tu repousarás de novo o queixo no meu cabelo enquanto eu respiro para o teu ombro, cadenciadamente. Sinto-me feliz por o mundo estar a abrir-se para nós e, contudo, a sua novidade faz-me tremer. Para chegar a ti tenho de deixar o único lar, as únicas pessoas que conheço.»

144 páginas. PVP 13,40.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

María Teresa Andruetto vence Prémio de Literatura infantil

«A argentina María Teresa Andruetto conquistou o Prémio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil, considerado o mais importante galardão atribuído a autores com uma carreira literária consolidada neste âmbito.» Ler no Diário Digital.

Diário da Feira do Livro de Frankfurt 2009: O balanço da revista Ñ

Ler aqui.

PNL vai pôr voluntários a ler em voz alta em escolas

«O Plano Nacional de Leitura (PNL) e o Observatório da Língua Portuguesa (OLP) vão desenvolver um projecto de voluntariado para estimular a leitura em parceria entre adultos e crianças, em instituições como escolas e bibliotecas.» Ler no Diário Digital.

Super Interessante hoje com capítulo de O Símbolo Perdido

«A edição desta sexta-feira da Super Interessante vai incluir um capítulo do mais recente livro de Dan Brown, O Símbolo Perdido, que sai no final do mês.» Ler no Diário Digital.

Kindle ajuda Amazon a somar mais 62% de lucros

«O terceiro trimestre da Amazon parece não ter sido afectado pela crise nem sequer pelo tradicional período mais “morno” das férias de Verão. A loja online, que há muito deixou de ser apenas uma livraria, viu os lucros crescer 62%para os 199 milhões de dólares (132 milhões de euros).» Ler aqui.

Clássicos reescritos, consigo como personagem principal

A empresa GettingPersonal vende clássicos personalizados, onde o comprador poderá ser o personagem principal da história. Ver aqui. Via twitter EstudosEdição.

Festival de BD da Amadora arranca hoje

«A abertura oficial do Amadora BD '09 tem lugar hoje, sexta-feira, às 21.30 horas, no Fórum Luís de Camões, estando o público convidado para ir festejar as histórias aos quadradinhos e os 20 anos do evento a partir de amanhã, sábado.» Ler no Jornal de Notícias.

João Paulo Borges Coelho, por José Vegar

«O silêncio mediático em torno de O Olho de Hertzog, de João Paulo Borges Coelho, agora premiado com o Prémio Leya 2009 não tem qualquer defesa. Por uma coincidência fortuita, conheço a narrativa. É um belo exemplar do género histórico clássico: investigação extremamente sólida, não fosse o autor historiador de ofício, trama densamente enredada nos acontecimentos políticos e sociais da época (Moçambique, fim do século 19), linguagem cuidada e pesada ao milímetro, ritmo e acção construídos por método e não pelo mercado. Assim sendo, um acontecimento literário raro.» Ler na íntegra aqui.

Apresentada edição da Bíblia «sem aditivos» com Samuel Úria a cantar «Saramago é bom»

"A Bíblia não é um manual de costumes", disse Francisco José Viegas a propósito da polémica aberta por Saramago. Robô iniciou a cópia do Novo Testamento

Uma Bíblia "sem aditivos". Foi assim que Timóteo Cavaco, da Sociedade Bíblica Portuguesa, se referiu à nova tradução da Bíblia ontem apresentada em Lisboa. Ao mesmo tempo, era inaugurada a exposição com o robô que escreverá o texto do Novo Testamento durante nove semanas. E o músico Samuel Úria cantava uma canção de há dez anos, que diz "Saramago é bom, mas não te dá a salvação. Quem tem medo de Lobo Antunes devia ter temor a Deus". Ler no Ípsilon.

Sócrates sabe que é preciso mais dinheiro para a Cultura, garante nova ministra

«A nova ministra da Cultura, Maria Gabriela Canavilhas, garantiu hoje, em declarações à TSF, que José Sócrates sabe bem que é necessário dotar o sector com mais meios financeiros.» Ler no Público.

Ciclo de debates Com Todas as Letras, com organização da revista Os Meus Livros e SPA

Decorre na próxima terça-feira, dia 27, a 4.ª sessão do ciclo de debates Com Todas as Letras, organizado pela revista Os Meus Livros e a Sociedade Portuguesa de Autores. Esta sessão estará subordinada ao tema «FC e Literatura Fantástica: O Reinado da Imaginação», tendo o seu início previsto às 18h30, no Auditório Maestro Frederico de Freitas, na Av. Duque de Loulé, n.º 31, em Lisboa.

Diário da Feira do Livro de Frankfurt 2009: Direcção despede gestor de projecto

A direcção da Feira de Frankfurt despediu Peter Ripken, gestor de projecto, devido a um segundo «diferendo», causado pela participação da China como convidado de honra. Segundo um jornal alemão, Ripken terá impedido dois activistas chineses de falar na sessão de encerramento da feira. Ler aqui.

Opinião: Contemplar 2018 com um livro nas mãos, por Guilherme Pires

CONTEMPLAR 2018 COM UM LIVRO NAS MÃOS
Guilherme José Pires (*)

Não raras vezes, ao chegar a casa regressado da batalha, dou por mim mergulhado em pensamentos sombrios a respeito do futuro do livro impresso e da flora em vias de extinção que o rodeia. Muitos dos que amam a literatura conhecem, decerto, o apelo dos sentidos na sua relação com o livro-objecto, e não podem deixar de tremer ao imaginarem um mundo predominantemente digital. Uma distopia na qual os blocos de papel se tornam corpos obsoletos, sem texturas nem aroma, as livrarias são espaços improváveis, e as bibliotecas deixam de ocupar edifícios monumentais, escondendo-se na memória de um computador.

Claro que, ao primeiro crepúsculo do dia, sai de cena o Guilherme-que-lê-em-papel e surge, empolgado, o José-que-pensa-em-digital. A metamorfose ajuda a poupar nos adjectivos: no mundo real, passo grande parte do tempo diante do computador, a ler e a trabalhar textos em formato digital, e deparo-me com os problemas que assombram o mercado (a distribuição, a descapitalização do sector, a sobreprodução, as devoluções e as notas de crédito, o escasso tempo de vida do livro no retalho, o endividamento, a relativa ineficácia das estratégias de marketing tradicionais...). É perante tais dificuldades que se torna evidente o potencial das novas tecnologias enquanto caminho alternativo ou possível solução, redefinindo a concepção e vida do livro-produto, o comportamento do consumidor, as estratégias de comunicação e de marketing, a relação entre autor e leitor – quase tudo o que está a jusante e a montante do mundo da edição.

O meu eu profissional sente-se, pois, curioso perante a revolução que se avizinha, mas todos os dias deixa escapar variadíssimos pontos de exclamação pela ausência, na geografia portuguesa, de um debate de fundo sobre estes assuntos, cuja premência exige um diálogo vivo entre os actores do mercado, sem excepção. Uma consulta rápida aos sites da APEL, da DGLB e do Ministério da Cultura revela que as palavras «ebook», «livro electrónico» ou «print on demand» são protagonistas de apenas um artigo. Tais assuntos escaparam também à programação da Feira do Livro de Lisboa em 2009 (houve a carta de Carlos Pinto Coelho, o debate «O que é ser editor hoje», mas não consigo recordar-me de mais exemplos). Até o primeiro número da B:MAG é revelador desta tendência: entre os 36 textos que lhe dão corpo, são cinco os que se referem ao digital.

Ainda assim, é fácil encontrar exemplos opostos, como o rio de informação que o Prof. José Afonso Furtado alimenta quase ao minuto, a investigação desenvolvida nos meios académicos ou o trabalho de pesquisa e compilação dos Booktailors e de outros espaços na Internet e na imprensa. O debate público sobre o futuro digital vai crescendo nas redes sociais (Facebook, Twitter, LinkedIn), na blogosfera e nos meios de comunicação, mas parte quase exclusivamente de opinião, dados ou estudos provindos de mercados externos.

Urge conhecer as ideias e debater os projectos dos editores, distribuidores, livreiros, autores, agentes e designers portugueses, que percebem ou contestam a importância das tecnologias digitais, da internet e das plataformas móveis. Existe uma imensidão de assuntos a debater: as estratégias de preço para o ebook; as transformações nos hábitos e modos de leitura; a auto-publicação de conteúdos; a integração do multimédia nos segmentos que ainda não o utilizam; a redefinição dos conceitos de livro e de leitor; modelos alternativos de negócio e de obtenção de receitas, com base em micropagamentos ou subscrição de conteúdos; a leitura e a escrita não-linear no ambiente online; o cloudpublishing. Estes temas são apenas uma fracção do ponto visível do icebergue; desafio-vos a que façamos deles uma conversa, um texto de opinião ou uma conferência.

Observemos, como exemplo, o debate aberto que ocorre em Espanha, tanto na internet como fora dela, e sigamos os seus passos. Para que, quando 2018 se encostar à nossa porta, possamos ser bons anfitriões.

(*) Nascido em Fevereiro de 1982, Guilherme José Pires é licenciado em Comunicação Social e mestrando em Ciências da Comunicação. Começou como profissional de jornalismo, mas arrependeu-se de tais passos. Trabalha, desde Janeiro de 2008, no departamento de edição e produção de conteúdos da editora MediaXXI. Não tem leitor de ebooks, nem estantes suficientes para os seus livros.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Maria Gabriela Canavilhas é a nova Ministra da Cultura


Maria Gabriela Silveira Ferreira Canavilhas é a nova ministra da cultura. Tem 48 anos, é pianista de formação e professora do Conservatório Nacional de Lisboa.

Maria Gabriela Canavilhas exercia funções no último executivo como Directora Regional de Cultura dos Açores, para além de ser membro do conselho Directivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.

Ver no Público a restante equipa ministerial.

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Biblioteca da Universidade de Aveiro adere à web 2.0

A Biblioteca da Universidade de Aveiro já tem um blogue e está no facebook, twitter, youtube e slideshare. Ver aqui.

Festival Internacional da Amadora cumpre 20 anos

«A ceia final das histórias de Astérix e os primeiros desenhos de Mónica e Cebolinha vão ser recriados a partir de sexta-feira no Amadora BD, o Festival Internacional de Banda Desenhada, que celebra vinte anos.» Ler no Público.

Plano Nacional de Leitura pôs portugueses a ler mais, defende sociólogo

«Os portugueses estão a ler mais e sobretudo estão a valorizar mais a importância de manter hábitos de leitura, segundo um estudo que faz um balanço positivo dos três anos de actividade do Plano Nacional de Leitura (PNL).» Ler no Público.

Pré-vendas do livro dos 50 anos do Astérix superaram as expectativas

«O livro O Aniversário de Astérix e Obélix - O Livro de Ouro, que assinala os 50 anos das aventuras destes heróis, teve uma procura “superior às expectativas”, disse uma fonte oficial da cadeia FNAC.» Ler no Público.

Quintas de Leitura prometem 40 minutos de poemas incendiários

«"Um poeta no sapato" é o título da próxima Quinta de Leitura, que promete "quarenta minutos de poemas incendiários, eivados de amor e humor de todas as cores", disse hoje à Lusa fonte da organização.

A sessão realiza-se dia 29, no Teatro Campo Alegre, no Porto, com os poetas Daniel Jonas, Nuno Moura, A. Pedro Ribeiro e João Rios, que o programador, João Gesta, qualifica como "quatro vozes fulgentes, irreverentes, alucinantes da poesia portuguesa contemporânea".» Ler no Diário Digital.

Diário da Feira do Livro de Frankfurt 2009: Foto reportagem da Booksmile

Veja aqui a foto reportagem da Booksmile, da edição deste ano da Feira do Livro de Frankfurt.

O futuro de Astérix e Obélix

«O futuro das aventuras de Astérix e de Obélix é o grande debate que se coloca no dia em que se assinalam os 50 anos do título, segundo Carlos Pessoa, especialista em Banda Desenhada (BD).» Ler no Diário Digital.

Diário da Feira do Livro de Frankfurt 2009: Mais um inédito de Roberto Bolaño

«O agente mais temido do mundo editorial, Andrew Wylie, trouxe mais uma vez para a Feira de Frankfurt um inédito do escritor chileno Roberto Bolaño. Depois de no ano passado a sua agência ter estado na feira a negociar o inédito The Third Reich, que começará a ser publicado a partir de Janeiro do próximo ano e será editado pela Quetzal em Portugal, desta vez o agente norte-americano tratado no meio pela alcunha de "O Chacal" trouxe Los Sinsabores del Verdadero Policia, um romance inédito e incompleto. No catálogo da The Wylie Agency lê-se uma descrição desta obra feita pela viúva do escritor, Carolina López: "Mais do que um romance, isto é uma das origens ou o núcleo do universo literário de Roberto. É o projecto em que ele trabalhou durante 13 anos. Dá aos leitores a ideia da sua singular espontaneidade e de como desfrutava da liberdade quando escrevia."» Ler na íntegra aqui.

Booktailors na Visão

Foi publicado na revista Visão desta semana, uma entrevista onde os Booktailors Paulo Ferreira e Nuno Seabra Lopes dão a sua opinião sobre as alterações que o eBook poderá trazer ao mercado do livro. Na página 24 do n.º 868 da Visão (ver imagem abaixo).

Saramago quer Caim livro em vez de um caso político

«O Nobel gostaria que o livro fosse mais lido em Portugal e menos criticado por quem ainda não o fez. Zeferino Coelho anunciou negociações de direitos que garantem uma grande difusão mundial.» Ler no Diário de Notícias.

Descubra as diferenças

As novas capas de W. G. Sebald e Calvino, nomeadamente estes dois exemplares, trazem consigo uma aproximação gráfica tal que, ao olharmos para o romance de Sebald, pensamos estar a ver um de... Italo Calvino.

Entrevista a Mauricio de Sousa

«O brasileiro Mauricio de Sousa tem 73 anos e Mónica vai a caminho dos 50, mas nenhum parece envelhecer. Em 2008, a "baixinha, gorducha e dentuça" atingiu a puberdade com o lançamento da série Mónica Jovem. Já o criador, enérgico e de um optimismo militante, avança ao i pelo telefone que nem sequer pensa na reforma. "Artista não pára", diz.» Ler no jornal i.

HP lança serviço de impressão de eBooks

«Numa altura em que se fala cada vez mais de livros electrónicos, o grupo Hewlett-Packard (HP) decidiu continuar a apostar no suporte em papel e anunciou, ontem, que vai lançar uma tecnologia para imprimir eBooks.» Ler no Público.

Saramago dia que Bíblia tem muita coisa que «vale a pena ler»

«A Bíblia “é um livro sagrado” mas a literatura de Saramago não; a Bíblia “tem coisas admiráveis do ponto de vista literário” e “muita coisa que vale a pena ler” – nomeadamente o livro dos Salmos, com páginas “belíssimas”, o Cântico dos Cânticos, ou a parábola do semeador contada por Jesus; e muitos valores que José Saramago tem interiorizados são “valores cristãos”.» Ler no Público.

Entrevistas da Paris Review a escritores como Borges e Faulkner publicadas na Tinta-da-China

«Jorge Luis Borges, William Faulkner e Ernest Hemingway são alguns dos 10 escritores cujas entrevistas à Paris Review chegam agora a Portugal, compiladas num volume editado pela Tinta-da-China». Ler no Público.

Diário da Feira do Livro de Frankfurt 2009: Resultados da feira

O blogue Autores e Livros adianta os números divulgados pelo director da feira, Jurgen Boos. A feira contou com 290 469 visitantes, 2,7% menos do que em 2008. Ler aqui.

Escritores descontentes com a literatura de celebridades

Alguns escritores estão descontentes com a atenção dada pelas editoras a obras escritas por celebridades, considerando-as de fraca qualidade. Ver aqui.

União Europeia planeia ajudar no projecto da Google

Na passada segunda-feira, a Comissão Europeia anunciou que planeia alterar as leis de copyright, de modo a facilitar o processo de digitalização de obras a empresas como a Google. Ler aqui.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Revista Os Meus Livros no twitter

Para seguir aqui.

Toshiba Biblio

O Toshiba Biblio é um leitor de eBooks, servindo ainda de telemóvel ou mini notebook. Tem um ecrã de 3.5 polegadas touchscreen, ligação wi-fi e 7Gb de memória. Ver aqui.

Procure as diferenças

As capas de O Segredo, de Rhonda Byrne e do último de Dan Brown, The Lost Symbol, apresentam algumas semelhanças. Aqui acredita-se que poderá haver uma ligação entre os dois.

Vencedor do concurso da BBC «Época de Poesia»

A BBC lançou o site Poetry Season, onde os britânicos podiam votar nos seu poeta britânico favorito. O vencedor foi T. S. Elliot, seguido de John Donne e Benjamin Zephaniah. Veja aqui os resultados. Via Livro de Estilo.

O kindle, por Pac Man

«Da primeira vez que ouvi falar no Kindle franzi o sobrolho, porque tenho com eles [livros] uma relação especial. Caetano Veloso explica por mim nessa excelente letra do tema com o mesmo nome: "Os livros são objectos transcendentes/ mas podemos amá-los do amor táctil/ que votamos aos maços de cigarro/ domá-los, cultivá-los em aquários/ em estantes, gaiolas, em fogueiras".» Ler na íntegra aqui.

Antagonista cria site para promoção da colecção de Ficção Científica & Terror Fantástico

A Antagonista Editora criou um site para promoção da colecção de Ficção Científica & Terror Fantástico, com informação relevante e indicações técnicas para a submissão de textos.

Opinião: O tempo do palimpsesto, por Mónica Magalhães

O TEMPO DO PALIMPSESTO,
por Mónica Magalhães (*)

Nasce este texto no dia que Umberto Eco se pronuncia sobre as maleitas provocadas pelo olvido da arte de bem escrever à mão.

Em epitáfio, celebro os tempos em que a pele e a tinta se comprometiam em núpcias, ora arrebatadoras ora brandas, com um pedaço de papel. Branco, imaculado. Ora o mapeavam com prolepses, retrocessos ou hesitações de memória. Actos loucos que guiavam a pena indómita em subidas e descidas, tentada pelo fulgor das palavras que carmeavam o papel. Gestos sedutores de linhas, amistadas, que, com cautela, coração partido e alguns beijos atirados à lua, tremelicavam por entre rabiscos. Paixões sufocantes com a mão arredada e as veias a latejar, cortadas pelo amarfanhar impiedoso da folha lançada ao lixo, sem direito a reciclagem. Rasgos pueris, em que as letras se desenhavam coradas, oriundas da camada de pele mais distante do sangue que seiva e ceifa o coração. Amores não correspondidos que glaciavam e adormeciam a mão, esboucelando em lágrimas o papel. Uma arte que, lampejada agora no pó das arcas, se tornou impiedosamente em arcaísmo. As letras sentem-se com este apartamento, e os textos desmancebam-se, indubitavelmente. Excede-se a distância pessoana necessária.

Pele, tinta, sangue e papel. As linhas da vida, os quatro elementos doutra terra. As parcas da ressurreição.

Só o palimpsesto pode salvar. Escrever de novo. Não de um modo messiânico, não numa reinvenção à Negreiros, mas num sentido radicado, de depuração do verbo e de cristalização do impronunciável. Voltar à lavra da palavra. Às histórias de suor porque de pele. Às novelas de feridas porque tacteadas. Aos contos de sangue porque de corpo debruçado sobre a tinta, de olhos voltados e coordenados com os andamentos dos parágrafos. Ora pianíssimos, ora repletos dos malfadados pontos de exclamação! Um retorno à escrita com todos os sentidos alinhados pela prosódia das frases.

Os escritores, os que foram expulsos do Paraíso pela palavra original, são seres maiores. Natos das núpcias permanentes entre os quatro elementos, adquirem a aparência humana, mas, na verdade, excedem-se e esventram-se em feições incapazes de exibir todas as suas almas abertas. Os corpos que tomam chegam a parecer iguais aos demais, apenas porque as imensas cicatrizes que os rasgaram se habituaram a acomodar-se e a ganhar a mesma tonalidade rosada.

Estes seres de berços de luz vivem e são viciados no seu ofício, ao jeito de Rilke. Espantam-se com as metamorfoses dos dias, mas não esquecem a posição com que os seus corpos se devem manifestar: a fetal. Vivem na infância, alimentam-se de ázimo consagrado e habitam na soleira desta terra. São seres plurais. Carregam a maior das solidões, mas são os mais comunitários. Porque cosmógrafos, grafam o mundo nas suas histórias. Se os seus rostos fossem transparentes, ora os veríamos desfigurados, mutilados, mascarados, belos como os dos arcanjos, sufocantes como os do purgatório.

Feliz de mim que me cruzo diariamente com algumas destas faces, com quem construo escadas devotas até ao parto de textos de luz, absolutos. Neste lar do livro e do escritor, temos procurado trabalhar géneros esquecidos de sempre, os mais primitivos, dantescos, bíblicos e no imaginário até das lendas mais antigas: os que logo provam e expugnam o maniqueísmo de que somos feitos. Bestiários. Anjos e demónios. Negação e afirmação. Redimimos os nossos crimes e expiamos as batalhas interiores nos policiais, ressuscitamos e atingimos a eternidade com os vampíricos.

Bem-aventurada sou por fazer parte deste confessionário dos sonhos, em que são muitos os que aspiram a este mundo de eleitos, de seres abençoados. Mas onde se concretizam também encontros para além da soleira, evocados e certeiros: as vivências trinitárias com que a Soror Flâmula me prendou; a incursão pelas ruas sinestésicas de Córdova que calcorreei com a mesma avidez de Ouroana; os sorrisos menos cromados que o cadáver feliz me arrancou; os violinos que alguns dos meus sonhos almejam tocar.

Que estes sacrários da língua universal, essa que o escritor que invoco no início deste texto fala com certa nostalgia, se dêem a conhecer. Talvez tudo comece com a resposta à questão vergiliana: «Qual a tua palavra essencial que o próprio Deus desconhece?» Fiat lux.

(*) Mónica Magalhães (n. Marco de Canaveses, 1980) é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e pós-graduada em Literaturas Românicas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Exerceu a docência no ensino secundário e colaborou no departamento de livros da Fnac. Desempenha, desde 2005, funções de coordenadora editorial na divisão literária do Porto da Porto Editora.
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Revista Life disponível na íntegra no Google Books

«As edições da revista semanal Life entre 23 de Novembro de 1936 e 29 de Dezembro de 1972 estão disponíveis numa das ferramentas de busca do Google, o Google Books». Ler no jornal i.

Eurodeputado do PSD exorta Saramago a renunciar à cidadania portuguesa

«O eurodeputado social-democrata Mário David exortou hoje o escritor José Saramago a renunciar à cidadania portuguesa por se sentir “envergonhado” com as recentes declarações do Nobel da Literatura sobre a Bíblia.» Ler no Público e no jornal i.

Barnes&Noble lança leitor de eBooks ao mesmo preço do Kindle

«A centenária e gigantesca cadeia de livraria Barnes & Noble vai lançar um leitor de livros electrónicos ao mesmo preço do popular Kindle, da Amazon, que faz precisamente esta semana a estreia fora dos EUA. O novo aparelho chama-se Nook e tem um design que já está a colher críticas positivas.» Ler no Público.

Astak Mentor

O Astak Mentor tem um ecrã de 6 polegadas, com 512 de memória interna, pesa 175 gramas e tem como sistema operativo o Linux 2.6. Ler aqui.

Novos modelos de livros electrónicos para concorrer com o kindle, serão lançados nos EUA

«Dois novos modelos de leitores de livros electrónicos vão ser lançados no mercado americano - o Que, da Plastic Logic, esperado para o início de 2010, e o Alex, da Spring Design, que pode chegar às lojas antes do fim do ano.» Ler no Diário Digital.

Quasi edições em processo de falência

«A Quasi Edições, que edita nomes como Harold Pinter, está em processo de falência, confirmou o Público.

A empresa vendeu, em Agosto, a Loja das Quasi, instalada em Famalicão e entretanto encerrada. Os novos proprietários – cujo nome não foi divulgado – deverão abrir outro espaço no Porto.
Da lista de marcas da editora, fazem parte a Quasi Edições, a Magnólia, a Transporte, e o Atelier de Produção Editorial.» Ler no Público.

RTP2 estreia sábado documentário sobre Manuel Hermínio Monteiro

«O documentário de André Godinho sobre o editor Manuel Hermínio Monteiro será exibido este sábado, dia 24 de Outubro, às 21h00, na RTP2. A exibição em televisão segue-se à antestreia no IndieLisboa, onde conquistou o aplauso do público.» Ler no Público.

2.ª jornada da Liga Booktailors – Futebol Fantástico

Relembramos que começa hoje mais uma jornada da Liga dos Campeões, época 2009/2010. Poderão fazer alterações à equipa até do Futebol Fantástico às 19h30 (prazo imposto pelo site). Se desejar poderá ainda juntar a sua equipa a esta primeira edição da Liga Booktailors. Para tal, bastará usar o código: 174140-38458. Recordamos que a contabilização de pontos na Liga Booktailors começou apenas na segunda jornada da Liga dos Campeões. Qualquer nova entrada poderá ainda almejar a uma posição no topo da tabela.

Aproveitamos para fazer um pequeno rescaldo da primeira jornada da Liga Booktailors onde, sem grandes surpresas, alguém da Booktailors subiu ao primeiro lugar da tabela, com 74 pontos. Elencamos os primeiros lugares da tabela classificativa desta primeira edição da Liga Booktailors:
1.º Diogo Coelho, 74 pontos
2.º Francisco Rosa, 71 pontos
3.º Mário Pinheiro, 61 pontos
4.º Jorge Silva, 61 pontos
5.º Tito Couto, 61 pontos

Da parte da Booktailors, aqui ficam os nossos desejos de boa sorte para a 2.ª jornada da Liga Booktailors. Mais informações aqui e aqui.

Polémica Caim, de José Saramago

«As acusações severas de José Saramago à Bíblia - expressas na apresentação do romance Caim, durante a homenagem promovida pelo Escritaria, em Penafiel, e numa entrevista concedida ao Jornal de Notícias - mereceram uma reacção pronta da hierarquia da Igreja Católica, crítica quanto à alegada "operação de publicidade" promovida pelo Nobel da Literatura.» Ler no Jornal de Notícias.

«A Igreja Católica portuguesa reagiu em bloco ao novo romance de José Saramago, ainda o livro estava a ser posto à venda nas livrarias. Os primeiros comentários de uma polémica que está longe do seu auge, e das réplicas que decerto provocará, tiveram origem nas declarações que o Nobel efectuou domingo à noite em Penafiel, onde considerou que "sem a Bíblia seríamos outras pessoas. Provavelmente melhores". Depois, endureceu e afirmou: "Não percebo como é que a Bíblia se tornou um guia espiritual. Está cheia de horrores, incestos, traições, carnificinas." Referiu ainda que costuma chamar ao livro sagrado dos cristãos "um manual de maus costumes".» Ler no Diário de Notícias.

«O editor de José Saramago não esperava por uma reacção tão rápida e com esta dimensão. Para Zeferino Coelho, Caim é "um livro polémico e que contém várias afirmações que podem fazer repetir o que aconteceu com o Evangelho segundo Jesus Cristo, porque são muito frontais e em matérias onde há muito a discutir". Zeferino Coelho, no entanto, não esperava esta sucessão de reacções que "com o Evangelho demoraram quatro meses". Apesar do tom das críticas, a Editorial Caminho não tem previstas medidas de segurança para a produção ou exposição deste livro, porque, diz, não partilha de uma "visão conspirativa". Considera que não há melhor publicidade que esta para a comercialização, mas esperava que fosse a força dos temas de Saramago a determinante nas vendas do crítico Caim.» Ler no Diário de Notícias.

«Os responsáveis da comunidade islâmica em Portugal não comentam as afirmações de Saramago nem passagens de Caim que digam respeito ao islão. O mesmo não se verifica com a comunidade judaica, que, pela voz do rabino de Lisboa Eliezer di Martino, acusou o autor de desconhecer a Bíblia, enquanto garante que o "mundo judaico não se vai escandalizar".» Ler no Diário de Notícias.

«A Aliança Evangélica Portuguesa (AEP) recordou hoje, a propósito das declarações do escritor José Saramago, o valor "fundamental e inalienável" da liberdade de expressão, mesmo quando as ideias mostram "ignorância, preconceito e agressividade acerca da Bíblia e acerca de Deus"». Ler no Diário Digital.