sábado, 24 de outubro de 2009
Pré-publicação: A Dádiva, de Toni Morrison (Editorial Presença)
Postado por
Booktailors - Consultores Editoriais
às
09:00
Marcadores: PRÉ-PUBLICAÇÕES BOOKTAILORS
sábado, 19 de setembro de 2009
Pré-publicação: A Talentosa Flavia de Luce, de Alan Bradley (Planeta)

Consulte a oferta de formação da Booktailors na barra lateral do blogue.
Postado por
Booktailors - Consultores Editoriais
às
09:00
Marcadores: PRÉ-PUBLICAÇÕES BOOKTAILORS
domingo, 31 de maio de 2009
Pré-Publicação: Um Outro - Crónicas de uma Metamorfose, de Imre Kertész (Editorial Presença)
Mil novecentos e noventa e um, Outono na margem fria do Danúbio, o crepúsculo, caindo, inundou com a sua cor ácida de maçã verde a espaventosa mentira dos palácios desbota-dos de Peste.Tudo, em mim, adormece, imóvel e profundamente. Vou remexendo os sentimentos, e os meus pensamentos, como num tambor de alcatrão tépido.
Porque me sinto assim tão perdido? Manifestamente, porque estou perdido.
Tudo é falso (por minha culpa, por meu intermédio: a minha existência falseia tudo).
Se o vazio (o meu vazio interior) ressuma um sentimento de culpa, talvez isso permita concluir das origens. A angústia precedeu a Criação; o horror vacui é uma questão de facto ética.
Ontem, numa espécie de sessão — com uma chamada conferência excessivamente estúpida sobre a excessivamente estúpida «Hungarian jewish coexistence» —, um senhor mais velho precipitou se na minha direcção, tinha o rosto granuloso e deformado, e manchas seguidas de cabelo ralo, como assentos gastos de certos canapés aveludados: nem um só traço me era familiar. Para grande surpresa minha, abraça me, de súbito, e apresenta se: um amigo que não via há trinta e cinco anos. Vive no estrangeiro. Ouviu falar de mim, lera os meus livros. Não compreende, diz, a minha «metamorfose». Então, ele nada notara de extraordinário em mim, nem eu dera mostras, digamos, de «capacidades superiores». Desculpei me um tudo-nada por este resultado inesperado, mas as suas palavras mexeram, na verdade, comigo. Tendi sempre, agora não menos do que antes, a considerar me um «Jedermann», alguém que, pelo menos de um certo ponto de vista, não receou esforçar se, e, antes de mais, no que respeita à lucidez de espírito. Quais são as minhas «capacidades superiores»? Não sigo a única inspiração deste país: o canto incessante e sedutor das sereias do suicídio espiritual, intelectual e, por fim, físico, e isso representa uma certa vitalidade. Contudo, assumir este mínimo como uma vitória seria gravíssima imprudência, e, mais do que isso, uma absoluta falta de cautela. O que mudou agora com a «mudança»? Já não há servidão? Fiquei a salvo de mim mesmo? Simplesmente, aconteceu que me devolveram a conditio minima, a minha liberdade individual — rangendo, abriu se, assim, a porta da cela em que me fecharam durante quarenta anos, e pode dar se que seja bastante para me perturbar. Não se pode viver a liberdade onde se viveu o cativeiro. Seria preciso ir para qualquer lado, ir para muito longe daqui. Não o farei.
Pois, nesse caso, seria preciso que eu de novo nascesse, me metamorfoseasse — em quem, em quê?
Chove. À mesa do restaurante, um homem explica qualquer coisa a uma mulher, qualquer coisa de inexplicável. Ele gostaria de abandonar os ensaios de felicidade que encalham regularmente. Sente se cansado de ir atrás do prazer pelas falsas estradas das promessas, que não conduzem a lado nenhum. Não é outra mulher, ora essa, nem pensar. A liberdade. Regressar à superfície, sair do turbilhão confuso das relações que se arrastam há anos. Está farto de reconhecer em cada uma das relações as suas próprias insuficiências. Vislumbra uma vida breve, intensa, criativa.
Consulte a oferta de formação da Booktailors na barra lateral do blogue: Curso de Comunicação Editorial com Jornalistas - João Pombeiro (Editor da LER), Curso de Marketing do Livro, pelos Booktailors.
Postado por
Booktailors - Consultores Editoriais
às
09:00
Marcadores: PRÉ-PUBLICAÇÕES BOOKTAILORS
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Pré-publicação: O Que o Dia Deve à Noite, de Yasmina Khadra (Edição Bizâncio)
«Orão sustinha a respiração nessa Primavera de 1962. Eu procurava Émilie. Tinha medo por ela.
352 páginasConsulte a oferta de formação da Booktailors na barra lateral do blogue.
Postado por
Booktailors - Consultores Editoriais
às
09:00
Marcadores: PRÉ-PUBLICAÇÕES BOOKTAILORS
domingo, 26 de abril de 2009
Pré-publicação: A Divina Miséria, de João de Melo (Dom Quixote)
«Capítulo Primeiro
COMO SABE, SENHOR, A MORTE DE UM HOMEM É SEMPRE UMA DESORDEM INFINITA. OS OBJECTOS QUE ATÉ então lhe pertenciam ficam desde logo sem préstimo nem função para a vida; caem no torpor e no atordoamento – vagos, sem utilidade, sem alma. Falta-lhes o movimento, o sangue, o calor das mãos que os usavam. Falta-lhes o tempo, a idade, a saúde para que foram criados. Sobretudo, senhor, falta-lhes o ser. A própria matéria reduz-se à sombra que lentamente arrefece e depois se extingue nos quatro cantos da casa – que acaba também por esmorecer e mudar de cor. Nela, o ar torna-se irrespirável; o sol, desnecessário, oblíquo. E tudo se apaga, tudo deixa de ser real. A razão de ser das coisas não reside na sua natureza material, mas antes na metafísica existencial, que é a explicação de todo e qualquer objecto; ela como que emerge do fundo da sua própria extinção, da ausência dessa luz que lhes vinha animando a existência.
Digo-o, senhor, porquanto claramente vi que os espelhos do vestíbulo, ao receberem o sopro derradeiro e o suspiro da sua agonia, se aveludaram de bagas de humidade – como se o alento do morto tivesse voado ao encontro deles nesse mesmo instante – e deixaram de ser os olhos discretos da casa. A memória do defunto evadira-se-lhe do corpo. Estava sendo como que amarrada aos aspectos ignorados do mundo que fora o dele, mas que agora nos parecia estranhamente distante, inerte, à beira do vazio. Como se dali o tivessem varrido os ventos loucos do esquecimento.
Eu nunca estivera antes na casa do padre, compreende o senhor? Não tinha vida nem estômago para isso. Era, nesse tempo, um homem de mil ofícios e caminhos. O mundo sobrevivia, sabe como e porquê? Ora, porque eu o desratizava. Subindo e descendo, por ladeiras e estradas, essas aldeias todas do Nordeste, tocava o meu realejo à entrada da rua principal, vinham logo bandos de homens e mulheres a correr ao encontro dos meus serviços. Via-se-lhes nos olhos as vidas carregadas de pobreza e de uma tristeza sem remédio. Ou tinham tulhas cheias dessas pragas de murganhos que eu devia exterminar, ou traziam-me facas e tesouras e alfaias agrícolas a afiar à lima, ao esmeril, até à lixa grossa; ou então apresentavam-me guarda-chuvas com varetas e molas partidas, e outras ferramentas a precisarem de um conserto destas minhas mãos de mecânico de tudo e mais alguma coisa. Amolava enxós, serras, serrotes, ferros de arado, foices de ceifar trigo ou roçar silvas, o inferno em peso a passar-me pelos dedos. As pessoas pediam-me que lhes fizesse recados e chamadas telefónicas intercontinentais, que lhes levasse cartas para o correio e desse voltas e voltinhas por elas na Vila, à cata de papéis e encomendas, em diligências e estúpidas demandas junto da câmara municipal e do notário. Pagavam-me por isso o que entendiam ou bem podiam. Mas nunca me faltou trabalho, porque a verdade é que não havia em todo o concelho do Nordeste um desratizador como eu. Armava ratoeiras em tudo quanto fosse sítio de ratos: arribanas, cafuões de milho, armazéns de frutas, sótãos onde se vazavam o trigo, a fava, a batata-doce e a comida de Inverno para o gado. As casas ficavam presas e reféns das minhas armadilhas, tal qual o peixe miúdo numa malha entre as rochas ou os pássaros nas redes que eu lançava entre o canavial – enquanto ia amolando tesouras de costura, limando facas de cozinha ou rachando lenha para o lume. Depois ia ver as minhas ratoeiras. Os bichos agonizavam às centenas, espichados pelas duras molas desses meus engenhos, dando à cauda e às patas no ar, os olhos alucinados e as línguas de fora. Abria-lhes então uma boa cova no quintal, ajudava-os a morrer por misericórdia e enterrava-os às pilhas e mais pilhas, para que o mundo ficasse limpo e salvo de semelhantes pragas. À boca de Outubro ou de Novembro, consoante o tempo se anunciasse para a próxima estação, tornava-mecarvoeiro. Trabalhava numa furna inventada por mim, espécie de forno abafado, com controlo de fumos e calores, onde a lenha ardia da noite para o dia por sua conta e risco, até o fogo se extinguir por si e as achas se converterem em grandes troços de carvão que eu vendia a peso ou a saco para o tempo frio. Já por aqui se vê, senhor: com uma vida destas, como ia eu ter tempo e paciência para padres e missas? Agora! Razão por que, como lhe disse, nunca tinha estado antes naquela casa.»
Consulte a oferta de formação da Booktailors na barra lateral do blogue.
Postado por
Booktailors - Consultores Editoriais
às
09:00
Marcadores: PRÉ-PUBLICAÇÕES BOOKTAILORS
sábado, 4 de abril de 2009
Pré-Publicação: Norte, de Louis-Ferdinand Céline (Ulisseia)
«Norte, que constitui a segunda parte da derradeira trilogia de Céline, é a descrição de uma viagem ao apocalipse infernal da Alemanha nazi. O autor decidira, ele próprio, fugir de Paris e exilar-se nesse inferno, para escapar a uma morte certa, consciente como estava de que, se o não fizesse, seria sujeito a um castigo violento devido à sua colaboração com o ocupante e aos seus exaltados manifestos anti-semitas."Talvez em nenhuma outra fase, em nenhuma outra das suas obras, se tenha dado uma tão feliz confluência entre conteúdo e estilo do que nesta trilogia final (Castelos Perigosos, Norte e Rigodon) que a Editora Ulisseia está a publicar pela primeira vez na íntegra, em Portugal." (João Carlos Alvim)
Excerto:
«Eu, as minhas bengalas, a Lili, o Bébert, aqui estamos nós feitos turistas... à procura de um hotel!... esta cidade já sofreu bastante... tantos buracos e calçadas levantadas!... engraçado, não se ouvem os aviões... já não se interessam por Berlim?... eu não percebia, mas a pouco e pouco dei-me conta... era uma cidade só de cenários... ruas inteiras de fachadas, os interiores tinham ruído, afundados nos buracos... não tudo, mas quase... parece que em Hiroshima está tudo bem mais limpo, ceifado rente... a limpeza através dos bombardeamentos que também é uma ciência, ainda não estava afinada... ali, os dois lados da rua ainda davam uma ilusão... as portadas fechadas... e depois também era curioso que nos passeios, todos os escombros, as vigas, as telhas, as chaminés estavam cuidadosamente empilhados... não a monte, de qualquer maneira... cada casa tinha diante da porta os seus destroços, que atingiam a altura de um, dois andares... e destroços numerados!... se amanhã a guerra acabasse, de repente, não precisariam de oito dias para repor tudo no seu lugar... em Hiroshima já não conseguiriam fazê-lo, o progresso tem o seu lado mau... ali, em Berlim, oito dias, e voltavam a pôr tudo de pé!... as traves, os algerozes, cada telha, já identificados com números pintados a amarelo e vermelho... assim se via um povo com um sentido de ordem inato... a casa completamente morta, uma grande cratera, e todas as tripas e goelas de fora, a pele, o coração, os ossos, mas apesar disso tudo bem acondicionado, no passeio... como um animal no matadouro que, como por magia, recupere as vísceras todas! e hop!... parta a galope! se Paris tivesse sido destruída você havia de ver as equipas de reconstrução!... o que iam fazer das telhas, vigas, algerozes!... talvez duas, três barricadas?... se tanto!... ali naquela triste Berlim, eu via velhos e velhas da minha idade e mais ainda, já nos seus setenta, oitenta anos... e até cegos... totalmente dedicados ao trabalho... a levarem tudo para o passeio, a fazerem pilhas à frente das fachadas, a numerarem... os tijolos, aqui! telhas amarelas, ali!... cacos de vidro num buraco, tudo!... nada deixado ao deus dará!... com chuva, sol, ou neve, Berlim nunca fez rir ninguém!... um céu que nada consegue alegrar, nunca... logo à partida de Nancy, nada mais há a esperar... só dissabores e mais dissabores, graves, enormes fadigas, ataques de tristeza, guerras de sete anos... de mil anos... sempre!... olhe as caras deles!... até as águas!... o Spree... esse Estige dos teutões... como ele corre, inexorável, lento... tão lodoso, escuro... só de olhar para ele, vários povos perderem o pio, a vontade de rir... nós, a Lili, eu, o Bébert, olhávamo-lo do parapeito... uma senhora, uma alemã aproxima-se... quer falar connosco... é amiga dos animais... quer fazer festas ao Bébert... ele tem a cabeça fora do saco... olha como nós para o Spree... esta senhora pergunta-nos de onde vimos... de Paris!... somos "refugiados"... é uma mulher de coração, percebe que estamos em dificuldades..."Oh, os senhores vão ter grandes problemas com o vosso gato!" Eu não sabia, ela informa-me de que os animais domésticos, gatos, cães, "não-de-raça" e "não-reprodutores" são considerados "inúteis"... as leis do Reich determinam que sejam entregues o mais brevemente possível à "Sociedade Protectora"." Tomem atenção nos hotéis! com um pretexto ou outro o delegado deles passa... para uma pretensa "visita veterinária"... e vocês nunca mais vêem o vosso gato!... os SS treinam-se com eles, arrancam-lhes os olhos!... "Agora estamos prevenidos... agradeço-lhe... teremos cuidado com os hotéis!...»
Tradução de Clara Alvarez. Capa de Magda Macieira Coelho. 464 páginas. PVP 18,99.
Consulte a oferta de formação da Booktailors na barra lateral do blogue.
Postado por
Booktailors - Consultores Editoriais
às
09:00
Marcadores: PRÉ-PUBLICAÇÕES BOOKTAILORS
domingo, 29 de março de 2009
Pré-Publicação: Dicionário do Judaísmo Português, de vários autores (Editorial Presença)
«ABADE DE BAÇAL. Francisco Manuel Alves (1865-1947), padre transmontano, autor das Memórias Arqueológicas do Distrito de Bragança, 11 volumes de investigação do património cultural do distrito, reserva o 5.o aos Judeus, ou seja, dedica-lhes o primeiro volume reservado à História dos Homens, precedendo os volumes dos Fidalgos e dos Notáveis. Foi um dos descobridores da existência de marranos*, assistiu à sua emergência como judeus, contando entre os amigos mais íntimos José Montanha, um dos fundadores da comunidade e sinagoga de Bragança*, a quem dedica o volume e condiciona à sua opinião a publicação, dadas algumas susceptibilidades. A obra espelha a grande admiração do autor pelo povo judeu, pelo que no preâmbulo explica a filiação do cristianismo no judaísmo, condenando o anti-semitismo, faz uma resenha da história dos judeus em Portugal, incluindo alguns apontamentos sobre os judeus contemporâneos do distrito e sobre as práticas religiosas e costumes dos judeus. Segue-se uma ampla listagem dos indivíduos pertencentes ao distrito e diocese de Bragança processados pela Inquisição ao longo dos séculos, quase na totalidade por judaísmo, e um pequeno apêndice documental sobre judeus e cristãos-novos bragançanos.Bib.: ALVES, Francisco Manuel, abade de Baçal, Os Judeus no Distrito de Bragança, in Bragança: Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, s. l., Câmara Municipal de Bragança/Instituto Português de Museus-Museu do Abade de Baçal, imp. 2000, t. v; SALOMON, Herman P., The Captain, the Abade and 20th Century «Marranism» in Portugal, Paris, Fundação Calouste Gulbenkian, 1976, Sep. de Arquivos do Centro Cultural Português, vol. x; MEA, Elvira Cunha de Azevedo, «O Judaísmo no Século xx: A fénix renascida em Trás-os-Montes», in Actas do Congresso Histórico 450 Anos da Fundação, Bragança, 1997.
E. A. M.
ABAFADORES (ABAFADEIRAS). Alguns autores referem-se à sua existência em Trás-os-Montes e Beiras baseando-se numa tradição segundo a qual os judeus mandariam abafar os seus doentes que se encontrassem em estado terminal. Tal procedimento seria utilizado entre os cristãos-novos*, durante a vigência da Inquisição*, para evitar que o sacerdote católico chegasse a tempo de ministrar o sacramento da extrema-unção e que o moribundo denunciasse qualquer prática judaica mantida no segredo da família.
Os abafadores seriam chamados ao leito do doente mal se adivinhasse a morte próxima. O moribundo «era envolvido em cobertores e carregavam-lhe em cima até lhe darem morte por asfixia», diz José Leite de Vasconcelos* na Etnografia Portuguesa. O autor afirma ter recebido a informação, em 1932, de uma pessoa de Bragança* a quem fora garantido por uma cristã-nova que o abafamento ainda se praticava na região.
Leite de Vasconcelos acrescenta que, sempre que perguntava pela existência dos abafadores, lhe respondiam que os havia, mas ninguém presenciara o acto.
O abade de Baçal* também se refere ao assunto nas Memórias citando duas testemunhas presenciais.
Um outro autor, Samuel Schwarz*, considera tratar-se de uma lenda decorrente do facto de, à hora da morte, os vizinhos cristãos verem entrar para junto do moribundo os homens que celebram as cerimónias fúnebres a quem tomavam por abafadores.
O escritor Miguel Torga, em Novos Contos da Montanha («O Alma Grande»), conta a história de um abafador e descreve o seu procedimento.
Bib.: ALVES, Francisco Manuel, abade de Baçal, Os Judeus no Distrito de Bragança, in Bragança: Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, s. l., Câmara Municipal de Bragança/Instituto Português de Museus-Museu do Abade de Baçal, imp. 2000, t. v; VASCONCELOS, José Leite de, Etnografia Portuguesa, Lisboa, Imprensa Nacional, 1967, vol. 4; SCHWARZ, Samuel, Os Cristãos-Novos em Portugal no Século XX, Lisboa, Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões, 1993.
M. J. F.»
«O Dicionário do Judaísmo Português que agora se apresenta, procura dar uma imagem abrangente e sistematizada da presença judaica em Portugal e da presença e actividade dos judeus de origem portuguesa no mundo. O universo da obra estende-se desde o estabelecimento de judeus no território que é hoje Portugal, atestado desde o séc. V, até ao presente, passando pela diáspora espalhada pelo mundo. Para além das entradas de carácter histórico, a obra contempla ainda noções básicas sobre festas religiosas, rituais e instituições comunitárias judaicas, bem como um glossário de termos hebraicos e índices onomástico e geográfico.
Já bastante se escreveu sobre os judeus portugueses, como os artigos deste dicionário testemunham. O nosso objectivo é reunir e divulgar de forma sintética conhecimentos actuais sobre o assunto, e proporcionar ao público em geral um instrumento de referência até aqui inexistente. Cada entrada remete para uma bibliografia essencial que o leitor interessado em explorar o tema de forma mais ampla pode consultar. Não temos a pretensão de dar a questão por encerrada. Conscientes de que o tema é bastante vasto e complexo, esperamos que esta obra contribua para suscitar o interesse e o desenvolvimento dos estudos judaicos em Portugal e, em geral, sobre os judeus portugueses. Gostaríamos ainda de salientar que se trata de um Dicionário de Judaísmo e não da Inquisição, pois esta instituição, embora intimamente relacionada com a temática do Judaísmo Português, merece, pela sua complexidade e pelo facto de transcender intrinsecamente a questão judaica, um Dicionário distinto, a par das obras já publicadas.
Os artigos foram elaborados por mais de sessenta especialistas das questões respectivas, os quais melhor do que ninguém podem escrever sobre os assuntos que investigaram, por vezes durante décadas. Reflectem, por isso, a abordagem própria e o estilo dos seus autores, e ainda o estado dos conhecimentos da altura em que o Dicionário foi iniciado, há cerca de oito anos atrás.
Por último, uma nota sobre o título da obra: Dicionário do Judaísmo Português. Existem diversas obras sobre os judeus sefarditas, que incluem sob essa designação judeus de origem portuguesa e espanhola. Mas, muitas dessas obras confundem e privilegiam os judeus espanhóis e o seu legado social e cultural em detrimento dos portugueses. A expressão "judeo-espanhol" frequentemente utilizada para as comunidades ibéricas na diáspora é disso um exemplo. É verdade que, a partir da expulsão dos judeus da Península Ibérica e, nomeadamente, durante o período da União Dinástica (1580-1640), se tornou por vezes difícil distinguir entre uns e outros. O contexto em que se moviam e incluíam era ibérico, a língua "franca" era o castelhano, a cultura secular em que banhavam era a mesma e as comunidades que constituíam na diáspora eram na sua maioria mistas. Assim, optámos por privilegiar o contributo social e cultural dos judeus de origem portuguesa em Portugal e no mundo, bem como o de todos aqueles relacionados com este país.
Esperamos que esta obra possa contribuir para um conhecimento mais vasto do público interessado e seja um instrumento de trabalho útil para estudiosos e investigadores.
Os Coordenadores»
Consulte a oferta de formação da Booktailors na barra lateral do blog.
Postado por
Booktailors - Consultores Editoriais
às
09:00
Marcadores: PRÉ-PUBLICAÇÕES BOOKTAILORS
domingo, 22 de março de 2009
Pré-Publicação: «Silver Bay - A Baía do Desejo», de Jojo Moyes
«Há muito tempo, quando os meus pais morreram e eu fiquei à frente do Hotel Silver Bay, muitas pessoas disseram-me que devia aproveitar a oportunidade para o modernizar, para instalar casas de banho nos quartos e televisão por satélite, como tinham em Port Stephens e em Byron Bay, que devia fazer mais publicidade,sobre a beleza da nossa pequena extensão de costa. Dei-lhes ouvidos durante alguns momentos – a nossa falta de clientela há muito que deixara de me preocupar, como desconfio que era o caso na maior parte de Silver Bay. Tínhamos visto os nossos vizinhos ao longo da costa, em ambas as direcções, engordarem com os lucros, mas depois terem de viver com as consequências inesperadas do sucesso: congestionamentos de tráfego, veraneantes bêbedos, uma sucessão interminável de modernizações e instalações. A perda da paz.Estudou jornalismo e foi correspondente do jornal The Independent até 2002, quando publicou o seu primeiro romance, Sheltering Rain, e resolveu dedicar-se à escrita a tempo inteiro.
Publicou depois Foreign Fruit (2003), The Peacock Emporium (2004), The Ship of Brides (2005), Silver Bay (2007) e Night Music (2008).
Com Foreign Fruit obteve o prémio «Romantic Novel of the Year», para o qual esteve também nomeada por The Ship of Brides e por Silver Bay.
Para mais informações sobre a autora e a sua obra visite o site www.jojomoyes.com.
Postado por
Booktailors - Consultores Editoriais
às
09:00
Marcadores: PRÉ-PUBLICAÇÕES BOOKTAILORS
sábado, 21 de março de 2009
Pré-Publicação: Regresso à Patagónia, de Bruce Chatwin e Paul Theroux (Quetzal)
Voltando para norte, em direcção ao arquipélago do cabo Horn, na ilha de Hermit, teve uma refrega com canoas cheias de índios fueguinos que ameaçavam tomar o navio. Conseguiu persuadi-los a ficarem sossegados enquanto lhes lia um capítulo da Bíblia – que escutaram com uma expressão solene no rosto, tendo um deles chegado a acreditar que era o próprio livro que falava.
Weddell anotou então algumas palavras da lingual deles e concluiu que era hebraico, embora admitisse que a questão de saber como tinha chegado ao cabo Horn «fosse matéria de filólogos».
Aconteceu então que, enquanto Darwin escrevia o seu Diário durante a viagem do Beagle, havia um exemplar do livro de Weddell sobre a secretária do editor do Souther Literary Messenger de Richmond, na Virginia, de seu nome Edgar Allan Poe.
O próprio Poe era um viajante solitário, obcecado por viagens de aniquilação e renascimento; e utilizou a obra de Weddell Voyage towards the South Pole como fonte de inspiração para o seu relato de uma viagem louca e autodestrutiva. No romance As Aventuras de Arthur Gordon Pym, o narrador chega a uma amena ilha do Antárctico chamada Tsalal, onde tudo é negro, incluindo os seres selvagens e brutais que invadem como um enxame o navio Jane. Falam uma lingua que é também um variante do hebraico – por outras palavras, os habitants de Tsalal são fueguinos ficcionados, com umas pinceladas do preconceito do próprio Poe contra os negros.
As Aventuras de Gordon Pym é uma das obras mais maldosas, mais brilhantes e, pelo seu efeito sobre a imaginação, mais influentes do século XIX. Inspirou Dostoiévski a escrever uns dos seus raros ensaios literários; e, ao ser traduzido para francês por Baudelaire, serviu de fonte a toda a série de poemas de «viagem» - desde o incomparável «Le Voyage» do próprio Baudelaire («Mais les vrais voyageurs sont ceux-là qui partent seulement pour partir…») ao poema em prosa de Rimbaud «Being Beateous».
Mas os Fueguinos, que contribuíram para desencadear tudo isso, eram um povo bastante gentil, que vivia segundo o ritmo das estações, contentando-se com o que tinha. Em finais do século XIX, o reverendo Thomas Bridges fixou-se como missionário do Canal Beagle e, antes da extinção dos seus índios, devido a uma epidemia, conseguiu compilar um dicionário a partir da lingual deles. Esse dicionário é agora um monumento à existência. Darwin teria ficado surpreendido ao tomar conhecimento de que um jovem da tribo Yaghan tinha um vocabulário de cerca de trinta mil palavras, talvez ainda mais do que as que Shakespeare escreveu.»
Bruce Chatwin (1940-1989) é um dos mais aclamados escritores de literatura de viagens de sempre. Foi jornalista da Sunday Times Magazine durante vários anos, e a sua carta de demissão ficou célebre – no telegrama ao seu superior lia-se apenas «Fui para a Patagónia». O seu livro mais célebre é, justamente, Na Patagónia, um clássico da literatura contemporânea, que, segundo The Gardian, «conferiu novos contornos à literatura de viagens».
Postado por
Booktailors - Consultores Editoriais
às
09:00
Marcadores: PRÉ-PUBLICAÇÕES BOOKTAILORS



