terça-feira, 30 de junho de 2009

Os menos vendidos

Para contrastar com as usuais listas de mais vendidos, a editora Baile del Sol apresentou uma lista de livros menos vendidos, na Feira do Livro de Madrid, sendo La reina de América, de Jorge Majfud, o seu «worst seller».

Ler aqui.

Declarada a falência das lojas Valentim de Carvalho

«A falência das lojas Valentim de Carvalho (VC) foi decretada hoje pelo Tribunal de Comércio de Lisboa, depois de terem sido acumuladas dívidas aos credores de mais de um milhão de euros e de 34 acções judiciais interpostas por parte de fornecedores nos últimos cinco anos.»

Ler no Público.

Brasil faz balanço positivo do acordo ortográfico e insta Portugal a aderir em breve

«O Ministério da Educação do Brasil fez um balanço positivo dos seis meses em vigor do Acordo Ortográfico no Brasil e instou Portugal a aderir em breve ao "comboio da reforma".»

Ler no Público.

Ulisses, versão twitter

Criando os perfis dos 54 personagens da história e através de tweets como declarações próprias de cerca de 140 personagens, foi assim recriado o capítulo 10 da obra Ulisses, numa iniciativa que decorreu no passado dia 16 de Junho, no mesmo dia onde em 1904 decorre a história. É certamente uma forma original de tratar as obras preferidas.

Ler aqui.

Comunidade de leitura na Livraria Almedina

A propósito da obra As Três Vidas, de João Tordo, no próximo dia 1 de Julho (discussão pela Comunidade) e 8 de Julho (autor presente), às 19H00, na livraria do Atrium Saldanha, em Lisboa.

Leitura paralela proposta: Os Detectives Selvagens, Roberto Bolaño

Aqui e aqui.

Escola Virtual da Porto Editoria vence Prémio Nacional Multimédia da APMP

«A Associação para a Promoção do Multimédia e da Sociedade Digital (APMP) distinguiu a Escola Virtual (http://www.escolavirtual.pt/), um serviço da Porto Editora, com o Prémio Nacional Multimédia na categoria de Educação e Cultura.

[...] A Escola Virtual é um serviço online que permite optimizar os processos de ensino e aprendizagem. Na plataforma, os programas das disciplinas, do 1º ao 12º ano, são apresentados sob a forma de aulas interactivas, acessíveis pela Internet a partir de qualquer computador. Graças a animações, vídeos, interactividades ou exercícios, estes recursos educativos digitais permitem uma aprendizagem mais intuitiva, dinâmica e envolvente.

O Prémio Nacional Multimédia, este ano na sua 4ª edição, tem por objectivo destacar e reconhecer o valor da produção multimédia nacional e premiar o talento, a ousadia, a criatividade e a perspectiva empresarial dos profissionais deste sector. Estiveram a concurso cerca de uma centena de trabalhos nas diversas áreas: Educação e Cultura, Tecnologias de Comunicação, Comércio Electrónico, Informação e Divulgação e Entretenimento, além do Prémio Sony Escolas (HD) e do Prémio Personalidade.»
-
Consulte a oferta de formação da Booktailors na barra lateral do blogue.

E-marketing Thoughts 2, por Martyn Daniels

Pensamento 2: Widgets.

Um widget é só um suporte. É uma «caixa» de marketing que permite dar mais ou menos informação, de acordo com as necessidades dos editores. Pode permitir vislumbrar parte do livro, folheá-lo, ler e receber comentários, etc.

Os widgets dão hoje uma vantagem única em termos de apresentação de informação que permita atrair para um consumo mais global (conteúdos escritos, áudio, vídeo, informacional, etc.).

Ler aqui.

35% das vendas são para o kindle

Segundo dados fornecidos pela Amazon, sempre que um livro é lançado no site, tanto em formato físico como digital, cerca de 35% das vendas são em formato digital.

Aqui.

O meu primeiro milhão - a agenda

A Lua de Papel decidiu juntar à 5.ª edição do livro O seu primeiro milhão, de Pedro Queiroga Carrilho, uma agenda financeira na qual são dados alguns conselhos e ferramentas de uso diário para poupar. Igualmente, quem adquirir a obra tem ainda acesso a um conjunto de ferramentas online, bem como um desconto de 10% num curso da empresado autor - a Kash.

A obra já vendeu 14.000 exemplares, sendo, segundo o editor José Prata, «o livro de finanças pessoais mais vendido em Portugal».


segunda-feira, 29 de junho de 2009

O mercado de eBooks em Espanha

Ler o balanço elaborado pela revista Dosdoce.

Biografias de Michael Jackson já a caminho

Michael Jackson: Legend 1958-2009 , por Michael O'Mara e Michael Jackson – King of Pop: 1958-2009, por John Blake são duas das várias biografias que já estão a ser preparadas e serão lançadas entre o final de Agosto e início de Setembro deste ano.

Prevê-se a segunda edição ainda antes da saída da autópsia.
[NSL]
-
Consulte a oferta de formação da Booktailors na barra lateral do blogue.

Mais de duas mil bibliotecas escolares em 13 anos

«Há 13 anos, eram poucas as escolas com biblioteca no país: havia apenas 164 bibliotecas na Rede de Bibliotecas Escolares. Em 2009, os 2.º e 3.º ciclos estão totalmente cobertos, o secundário está acima dos 90 por cento e só o 1.º ciclo continua com um défice de bibliotecas, com cerca de 40 por cento de cobertura. Actualmente, são 900 no 1.º ciclo e 1163 nos ciclos seguintes. Cerca de um milhão de alunos tem acesso a bibliotecas escolares.»

Ler no Público.

Booktrailer: Perto da Felicidade, de Richard Yates (Quetzal Editores)

Leitores da Netronix - Mentor

A empresa Netronix apresentou alguns modelos de leitores de eBooks, na feira de tecnologia Computex 2009. Entre os vários modelos apresentado, o Mentor, com uma tela de 6 polegadas (15,24 centímetros), tem uma bateria que permite a leitura de 8 mil páginas.

Ver aqui.

Próxima quinta-feira, encontro LER no Chiado «Cheguei, Vendi e Venci - O Sucesso Explica-se?»

Google viola o direito de autor?

Isto é o que a União Europeia pretende saber. Segundo a tomada de posição de políticos alemães, conhecida como «Recurso Heidelberg», «As acções do Google são inconciliáveis com os princípios da lei de autor da UE, que estipulam que o consentimento do autor tem de ser obtido antes dos seus trabalhos serem reproduzidos ou tornados públicos na Internet.»

Ler aqui.

Nova colaboração no PNET Humor

João Sá é o novo colaborador da Rede PNET, coordenando a secção PNET Humor.

João Sá vive da escrita criativa, «on demand» ou «tailor-made». Escreve em vários blogues, tendo este como apresentação, ou o Arcebispo de Cantuária, onde se descreve como «Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 40 anos (embora um teste da Sábado diga que na realidade tenho 47... já estive mais longe, tenho que repetir o teste). Está presentemente desempregado, mas tem boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center.»

LeYa apresenta nova política comercial para o livro escolar

Os livreiros que não pretendam efectuar as encomendas de manuais escolares pela Internet, optando por se dirigir aos dois centros "auto-serviço", da LeYa, no Montijo e Serzedo, terão de adquirir os packs completos para cada disciplina, os chamados pack "Recomendações Pedagógicas", que englobam CD-ROM (ainda que nem todas as escolas solicitem este suporte). Os livreiros poderão devolver os CD-ROM em Outubro.


Os livreiros protestam, pois consideram que terão de passar pelo método «odioso de impingir aos pais um artigo que os professores quase nunca pedem e que representa mais 20% no preço final»

Ao DN, José Menezes, Director de Comunicação do Grupo LeYa, aponta que só desta forma conseguirão garantir a eficácia do serviço: "A LeYa é a única editora de livros escolares que tem auto-serviços. Por uma questão de organização e rapidez, só venderão Recomendações Pedagógicas. Mas continua a existir a possibilidade de fazer a encomenda em separado no nosso site".

Os livreiros estão preocupados ainda com a possibilidade do site não suportar os pedidos: «no ano passado, as encomendas começaram a 1 de Julho, e ao fim de três semanas o site deixou de funcionar de vez". Mais, a partir de Agosto«o mês em que a maioria dos pais começa a fazer os pedidos às livrarias» - as condições oferecidas pela LeYa a comerciantes (descontos) "são melhores" para quem optar pelos auto-serviços.

E-marketing Thoughts 1, por Martyn Daniels

Pensamento 1: Saber os resultados.

Com a transferência para o mundo digital é hoje possível acompanhar detalhadamente os resultados das nossas campanhas.

Onde antes apenas vislumbrávamos quantidades e impactos prováveis, hoje temos software que permite acompanhar quantitativa e qualitativamente tudo o que se relaciona com as nossas e-campanhas de marketing directo e viral.

Ler aqui.

Google Edition

A gigante Google continua a desenvolver a sua política na área dos conteúdos editoriais e apresenta agora a Google Edition.

Todos os editores que já tenham um acordo firmado no âmbito do Google Book Search podem, agora, usufruir deste instrumento, que permitirá aos leitores visualizar no seu computador qualquer livro por meio de uma subscrição.

Um sistema de visualização por aluguer que agrada aos editores a coloca a Google um passo mais à frente no novo mundo digital.

Ler aqui.

Opinião: O problema dos ratos, por Possidónio Cachapa

O PROBLEMA DOS RATOS,
por Possidónio Cachapa (*)

Passam a vida a perguntar-me: «O que anda a ler?» E depois, ficam muito atentos à espera de que eu largue um nome em alemão ou em checo. Pelos menos, o de um francês que toda a gente tenha ouvido falar mas poucos lido.

O povo, e por «povo» entenda-se as pessoas que andam à volta da coisa impressa, está convencida de duas coisas, no que toca aos escritores: a) alimentam-se da sua inspiração, b) não vivem sem um livrinho a tiracolo.
Quanto mais o tempo passa, mais me reconforta fazer figura de estúpido, do gajo que nunca se lembra do que anda a ler ou do que já leu. Para as almas apressadas que quiserem saber, isso é sinal mais do que inequívoco de se estar na presença de um ignorante; uma decepção, portanto. O que, por comparação enciclopédica até pode ser verdade. Já não o será tanto se considerarmos o universo das coisa vivas.

Esclareça-se, então, que «escritor» é um gajo que escreve. Ou uma gaja, desde que se acrescente um «a». Não é obrigatoriamente um discípulo de São Tomás de Aquino, ou um encolhido que se furte à foda para ter orgasmos com as frases de Baudelaire. Pode ser e, em casos conhecidos, será, de certeza, mas não é condição. Da mesma forma que não têm de ser todos bêbados ou drogados, ou furados de piercings, ou isso tudo, num ai. E, já agora, alguns não precisam de ser feios como Judas para sublimar o amor. Assim, assim, chega-lhes.

Há um corpo e há um espírito que lhe dita coisas. Os dois podem alternar ou trabalhar em conjunto, se lhes dá para isso. Mas não há receitas nem obrigações. Ou não haveria, se o preconceito não grassasse precisamente entre os que afirmam combatê-lo.

Da minha experiência de contacto com escritores e escritoras, de nacionalidades várias, ficou-me a convicção de que a maioria tem interesse. Como pessoa, digo. Porque dizem coisas que fazem sentido enquanto tiram as espinhas ao pargo. Ou porque ajeitam a saia fazendo um comentário que confere a esse pequeno nada um sentido de que nos lembramos mais tarde. Os melhores são sempre curiosos como ratos. Mas não de biblioteca. Interessam-se pelas coisas do mundo, pelas suas contradições e mistérios. E sim, a maioria lê muito, porque se habituou desde sempre a ficar em silêncio diante de palavras escritas; porque sabem que no acto de ler está incluído um outro de reflexão que, depois de filtrado pelo seu próprio conhecimento, os acrescentará. É por isso que sabem passagens de cor e se recordam de personagens que conheceram décadas antes. Porque há uma razão concreta para isso.

Mas, e aqui a coisa refina, a sua fonte de alimento não é, nunca poderá ser, o trabalho dos outros. Isso é do domínio da crítica e dos que se alimentam da coisa germinada. Não há nisto um juízo de valor, apenas a constatação simples de haver uma diferença entre os que semeiam e os que recolhem.

Admito que me custa sempre recordar-me dos livros que alternam, viciosamente, na cabeceira da minha cama. Mas, se serve de atenuante, lembro-me muito bem do que se sente quando se chega ao fim de uma caminhada na Chapada Diamantina, ou quando se entrega as garrafas de oxigénio ao guia que ficou no barco, depois de ter percorrido o interior de um navio afundado. Receio que haja nisto pouco para alimentar o bibliófago exclusivista que, aparentemente, me competia ser. E, ainda assim, alguma coisa disto se transformará em texto. Escrito, como mandam as boas práticas…

(*) Possidónio Cachapa nasceu em 1965, em Évora. Licenciado em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa, é autor de romances, peças de teatro e livros de crónicas. Mantém o blogue Prazer Inculto.

domingo, 28 de junho de 2009

O kindle foi à Feira do Livro de Madrid 2009

Tirado daqui.

sábado, 27 de junho de 2009

Booktrailer: Mar de Papoilas, de Amitav Ghosh (Presença)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A exclusividade em eBooks, por Martyn Daniels

A CTV Canadá reportou que a Indigo Books e a Music Inc. estão a planear lançar um leitor de eBooks exclusivo até ao final do ano. Martyn Daniels analisa o perigo que poderá ser esta exclusividade, obrigando os leitores a escolherem um leitor que apenas lhes permite ler determinados livros. «Exclusive means binary decisions which are black or white and pushing consumers into these is often a foolish route.»

Ver aqui.

Capítulo de O Velho Expresso da Patagónia disponível para download

A editora Quetzal colocou o primeiro capítulo de O Velho Expresso da Patagónia, de Paul Theroux, disponível para download gratuito. Aqui.

Quetzal Editores chega ao Facebook

Para seguir aqui.

«Época da poesia»

Nesta página da BBC, está disponível uma votação online para escolher o poeta favorito de Inglaterra. É possível explorar a vida e o legado destes 30 autores, estando ainda disponíveis opiniões e as preferências de outros poetas e celebridades.

Via Senhor Palomar.

O lançamento do Caderno de Saramago

Encontro moderado por José Mário Silva e Isabel Coutinho, ontem. Reportagens no Correio da Manhã.

Acordo da Google com as editoras sob investigação

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos enviou a editoras pedidos oficiais de informações sobre o acordo estabelecido com o gigante online, de forma a averiguar se estarão a ser violadas as leis anti-trust. Ler no NYTimes.

Os e-mails de Stieg Larsson

O fenómeno «Stieg Larsson» continua. Para além do sucesso dos livros com a saga Millenium, cujo primeiro volume já foi adaptado para cinema, há ainda todas as histórias à volta do autor. Aqui é possível ler alguns trechos de e-mails do autor, enviados do e-mail do trabalho, meses antes da sua morte.

Curso de Comunicação editorial com jornalistas, no contexto da era digital, por João Pombeiro - início a 27 de NOVEMBRO (PORTO)

Curso de Comunicação editorial com jornalistas, no contexto da era digital,
por João Pombeiro

Objectivo geral: Munir os formandos de conhecimentos e competências que lhes permita perceber as necessidades dos meios de comunicação social para a produção de peças jornalísticas, enquadrando e apresentando os principais meios nacionais e internacionais, ligados à crítica e divulgação de livros.

Estudar-se-á a fundo a melhor forma de interacção com os meios de comunicação social.

Público-alvo: profissionais da área do marketing e comunicação de editoras de livros.

Formador
João Pombeiro é o actual editor executivo da revista LER.

Anteriormente, assumiu as funções de editor da Notícias Sábado, revista de sábado do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias. Nasceu em Évora em Agosto de 1978, mas foi em Lisboa que se licenciou em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Em 2002 ingressou na revista Grande Reportagem, onde exerceu o cargo de jornalista até ao ano de 2005. Ao longo do seu percurso profissional, colaborou com diversas publicações.

Publicou em 2007, pela Esfera dos Livros, uma colectânea que reúne as frases mais hilariantes dos políticos portugueses, no pós 25 de Abril.

Programa do curso
1. A COMUNICAÇÃO SOCIAL NO CONTEXTO DA ERA DIGITAL
1.1 Principais tendências.
1.2 Os leitores e a leitura de publicações jornalísticas.
1.3 Os meios de comunicação social tradicionais e os desafios dos novos suportes de comunicação (blogging, micro-blogging, wikis, etc). Exemplos.
1.4 Os vários papéis numa redacção. O que mudou? Exemplos.

2. A INTERACÇÃO DAS CASAS EDITORIAIS COM OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
2.1 O que os jornalistas esperam de um press release/dossiê de imprensa? Erros flagrantes e boas práticas. Exemplos.
2.2 A selecção dos meios de comunicação social para o plano de comunicação da editora. Exemplos.
2.3 News management.

3. OFICINA DE COMUNICAÇÃO
No âmbito do curso, serão realizados vários trabalhos que consistirão na produção de um plano de comunicação que englobe a interacção com os meios de comunicação social. Esse estudo será objecto de reflexão e debate na sala por todos os participantes.

Estes trabalhos serão ainda objecto de análise e avaliação por parte de um convidado ligado à área da crítica e divulgação de livros.

4. PERGUNTAS E RESPOSTAS

Dados técnicos:
N.º de sessões: 3.
Datas: 27, 28 e 29 de Novembro.
Horário: dia 27 de Novembro: 18h30 às 21h30 // 28 e 29 de Novembro: dia todo.
Total de horas: 18 horas.
Propina: 240,00 €
Descontos: 10% para todos os ex-alunos Booktailors e estudantes.

Para se inscrever, por favor envie CV (com a referência: Comunicação Jornalistas PRT) para: formacao@booktailors.com.
-
Consulte a oferta de formação da Booktailors na barra lateral do blogue.

Hábitos de leitura, por Miguel Esteves Cardoso

Miguel Esteves Cardoso fala do prazer que tira da leitura e da sua experiência em ler livros em formato digital, identificando-se com o que Isabel Coutinho diz no Público e no Ciberescritas.

Ler aqui.

Opinião: O romance culinário, por Pedro Rolo Duarte

O ROMANCE CULINÁRIO,
por Pedro Rolo Duarte (*)

Aqui há dias, num daqueles inquéritos que os jornais e as revistas fazem quando manifestamente lhes falta assunto, perguntaram-me que livros andava a ler. Sou um leitor desorganizado, caótico, e muito pouco ortodoxo – e na mesa-de-cabeceira acumulam-se romances que comecei a ler e não acabei, livros sobre jornalismo que nunca abri, e até mesmo o famoso guia da dieta de South Beach, que por diversas vezes tentei aplicar, sempre sem sucesso, sempre sob o pretexto de que ainda não acabara de ler o livro, logo não fazia sentido iniciar a dieta…

Além disso, sou sincero: há períodos da existência em que o excesso de trabalho me deixa esgotado e sem paciência para a essencial e saborosa meia hora de leitura antes de adormecer. Não tenho a pretensão de ser um intelectual encartado…

Estava então a pensar nas respostas ao tal inquérito e fui ver quais eram os últimos livros em que tinha pegado. É fácil fazer esse levantamento: na pilha ao lado da cama, os que estão no topo são os mais recentemente manuseados.

Havia dois, ambos cheios de post-its colados. Tinham sido objecto de atenção há duas semanas, durante três ou quatro noites. Eram…

… Eram dois livros de receitas. Um, de cozinha indiana. Outro, de tapas espanholas (na realidade, bascas). Num primeiro momento, achei que não fazia sentido responder ao inquérito dizendo que os livros que andava a ler eram sobre temas culinários. Mas depois pensei melhor e aceitei esta realidade, que partilho hoje: ler livros de receitas, livros sobre gastronomia, constitui para mim um prazer comparável à leitura de um romance, de um conto, às vezes até de um poema.

Desde que descobri os prazeres da cozinha, há dez anos, a vida ganhou um novo ponto de apoio, uma espécie de rumo alternativo. Eu era apenas um apreciador da boa mesa, um amante do sabor apurado – mas à medida que me fui aventurando nos tachos e nas panelas, tornei-me um «especialista amador», um apaixonado pelos sabores, um militante dos cheiros, dos temperos, dos condimentos. Estou longe de ser um cozinheiro, ou de ter com a confecção a relação de confiança que tenho com as palavras e a escrita, mas esse caminho é cada vez mais óbvio para mim e sinto uma felicidade difícil de descrever quando dou mais um passo, quando descubro um segredo, quando vejo pessoas felizes à mesa lá de casa. Cozinho praticamente todos os dias, e é um dos momentos sublimes dos meus melhores finais de tarde - chegar a casa, entrar na cozinha e perguntar-me, sem sequer pensar se sou só eu à mesa, se somos dois, se somos seis: o que vou fazer para o jantar?

Este «novo» amor que se instalou no meu mundinho teve consequências para lá de visitas frequentes às lojas especializadas: fez aumentar brutalmente a biblioteca de livros sobre estas matérias. E esse aumento fez nascer uma nova paixão: a leitura dedicada de receitas, de truques, de dicionários sobre especiarias, molhos, culinárias de todo o planeta.

Quando leio uma receita, vou imaginando o seu resultado, pensando em alterações possíveis, adaptações ao meu paladar ou aos condimentos que estão disponíveis. Muitas vezes imagino também as pessoas para quem cozinharia, ou as circunstâncias. Como se costuma dizer, «viajo na maionese»…

… E nessa viagem percebo que um livro de receitas pode ser tão rico, emocionante e, vá lá, «saboroso», como o romance mais fascinante. Foi por isso que, na resposta ao tal inquérito preguiçoso de jornal, não hesitei - à pergunta «que livro anda a ler?» eu respondi sumariamente, mas de peito cheio: um excelente romance cheio de receitas culinárias…

Crónica originalmente escrita para a revista Lux Woman.

(*) Pedro Rolo Duarte trabalha há mais de 25 anos em jornais, revistas, rádio e televisão. Foi um dos fundadores da Visão, trabalhou para O Independente, a revista K e o Diário de Notícias, onde esteve à frente do DNA. Encontra-se actualmente a trabalhar no jornal i.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Números das Feiras do Livro de Lisboa e Porto

Segundo dados divulgados pela APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros), foram mais de 350 mil pessoas que passaram pelas Feiras do Livro do Porto e de Lisboa. Na Feira do Livro de Lisboa passaram cerca de 200 mil visitantes, com as vendas a crescer entre 10 a 20% em relação à edição anterior. No Porto visitam a feira cerca de 150 mil pessoas, com as vendas a crescerem cerca de 20% em relação a 2008. Os dados de venda por editoras não foram estipulados, visto que as diferentes editoras participantes não facultaram os seus dados de vendas mas, segundo Vasco Teixeira, presidente executivo da Porto Editora, a edição deste ano marcou «um novo ciclo». Vasco Teixeira realçou ainda o trabalho da APEL, na organização das Feiras.

Segundo dados da LeYa, o Rasto do Jaguar, de Murilo de Carvalho foi o livro mais vendido da Feira, destacando-se ainda os livros de Stephanie Meyer, assim como autores nacionais, como José Saramago, António Lobo Antunes e Miguel Sousa Tavares.

Fonte: Diário Económico de 25 de Junho; Pág. 21

LeYa nas Feiras do Livro de Lisboa e Porto

Segundo o artigo do Diário Económico que noticiámos aqui, as vendas do grupo LeYa superaram os 650 mil euros, sendo que no último dia o grupo facturou cerca de 100 mil euros, apresentando assim um aumento de 20% relativamente às vendas da edição de 2008.

Já no edição no Porto, a LeYa teve receitas na ordem dos 300 mil euros, condiderado por José Menezes como «um grande sucesso».

Fonte: Diário Económico de 25 de Junho; Pág. 21

Saramago Online

codebase="http://activex.microsoft.com/activex/controls/mplayer/en/nsmp2inf.cab#version=6,0,02,902" standby="Loading Microsoft Windows Media Player components..." type="application/x-oleobject">





Novo livro de Miguel Sousa Tavares a 7 de Julho

«Há um ano e meio que Miguel Sousa Tavares está a trabalhar em No Teu Deserto, aquilo a que chama "um quase romance". Editado pela Oficina do Livro, irá para as livrarias a 7 de Julho.

Quando o autor de Equador e de Rio das Flores vê um livro acabado, vê um livro morto. Foi o que explicou na Comunidade de Leitura da Livraria Almedina do Atrium Saldanha, em Lisboa, onde esteve, quarta-feira ao final da tarde, a conversar com a jornalista Filipa Melo e a responder às perguntas dos participantes.»

Ler mais aqui.

Feira do Livro da Bertrand, no Colombo

«A Bertrand Livreiros vai promover a partir desta quinta-feira [hoje] uma Feira do Livro no Centro Comercial Colombo, no piso 1. Os objectivos passam por incentivar à leitura e democratizar o acesso ao livro.»

Ler no Diário Digital.

No Bosque do Espelho

A D. Quixote acaba de apresentar o livro No Bosque do Espelho, de Alberto Manguel.

Tal como nos habituou Alberto Manguel, o autor retorna ao universo da leitura (onde começou, como leitor para o já cego JL Borges), com este título com referências claras (e ilustrações) da obra mais conhecida de Lewis Carroll.

Nas suas páginas Manguel percorre Alice no País das Maravilhas assim como obras de outros autores, nomeadamente Cortázar, JL Borges e Chesterton, entre outros.

No Bosque do Espelho é, segundo a blurb da capa, da polémica escritora Germaine Greer, «Uma viagem fantástica ao mundo dos livros».

Resposta ao governador A. Schwarzenegger

Na sequência desta notícia, o mega-grupo escolar Pearson responde proactivamente, apresentando conteúdos para as disciplinas de Biologia, Química, Algebra 2 e Geometria.

Segundo Peter Cohen, CEO da school curriculum business da Pearson’s North America, «We believe it is important to take these forward steps toward an online delivery system and we are supporting the Governor’s initiative, recognizing there are numerous challenges ahead for the education community to work through.»

Ver aqui.

Entrevista a José Afonso Furtado

Conforme noticiámos aqui, facultamos agora uma digitalização dessa entrevista na Visão a José Afonso Furtado, onde o autor apresenta a obra A Edição de Livros e a Gestão Estratégica, publicada pela Booktailors.

Boris Vian, por Pedro Vieira

Tirado daqui.

Vargas Llosa e o medo da tecnologia

Vargas Llosa mostra-se apreensivo relativamente à possibilidade de deixar de ler livros em papel. Leonardo Corrêa analisa esta posição do escritor aqui.

Muito obrigado

O Senhor Palomar atribuiu ao Blogtailors o «Prémio Lemniscata». Outros vencedores:


Link
- Bibliotecário de Babel, José Mário Silva.
- LERBlog, redacção da LER;
- Blog da Quetzal, Quetzal;
- Da Literatura, de Eduardo Pitta;
- Irmão Lúcia, de Pedro Vieira;
- Jardim Assombrado, Carla Maia de Almeida.

Os 10 melhores ménage à trois da literatura

«A convite do jornal The Guardian o escritor Ewan Morrison escolheu os dez melhores trios de amantes na literatura.

1. O Jardim do Éden, de Ernest Hemingway
2. Jules e Jim, de Henri Pierre Roche
3. Politics, de Adam Thirlwell
4. Uma Casa no Fim do Mundo, de Michael Cunningham
5. Three in Love: Ménages à Trois from Ancient to Modern Times, de Barbara Foster, Michael Foster e Letha Hadady
6. Off the Road: Twenty Years with Cassady, Kerouac and Ginsberg, de Carolyn Cassady
7. O Amante do Vulcão, de Susan Sontag
8. Henry and June, de Anais Nin
9. Design for Living, de Noel Coward
10. O livro do Génesis»

Ler no i e no Guardian.

Twiteratura

«Nos EUA, dois estudantes universitários de 19 anos estão a resumir livros clássicos assinados por gigantes da literatura como Dante Aliguieri, James Joyce e William Shakespeare em 20 "tweets", ou menos. Ou seja, e considerando que um "tweet" tem no máximo 140 caracteres, em 2800 caracteres.»

Ler no i e no Guardian.

Livro do Desassossego adaptado a cinema

Foi acordado um protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e o realizador João Botelho, para a adaptação a cinema da obra Livro do Desassossego. de Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa). Após a assinatura do protocolo, no próximo dia 6 de Julho, o cantor Mariano Deidda fará uma actuação na Casa Fernando Pessoa.

Ver aqui.

José Duarte com colecção na Sextante Editora

O radialista («Cinco Minutos de Jazz»), e referência do Jazz em Portugal, José Duarte, terá uma colecção (JD) inteiramente dedicada a si.

O primeiro volume é História do Jazz, onde o autor percorre os caminhos do Jazz da pré-história até à Internet. Seguem-se João da Terra do Jaze, Jazzé e Outras Músicas, Jazz, Escute e Olhe e Cinco Minutos de Jazz.

Ver também a recomendação da Pó dos Livros aqui.

Fonte: Visão

A Guimarães, por Eduardo Pitta

Em resposta a este artigo de Eduardo Pitta, no qual este dava a sua opinião sobre a Guimarães, Paulo Teixeira Pinto convidou o crítico a visitar a editora. Eduardo Pitta conta essa experiência. Aqui.


O futuro é ou não do e-reader?

Aqui é possível ler a opinião de alguns membros da imprensa brasileira, acerca da possibilidade de aparelhos como o kindle virem a substituir o livro ou os jornais.

José Mário Silva e os eBooks

O guru do Marketing, Martyn Daniels, já há muito aconselha aos editores que passem a enviar os livros para recensão em formato digital.

Agora, José Mário Silva corrobora com esta visão e compra um leitor de eBooks.

Melhor para o ambiente (global e da casa do jornalista / crítico / poeta), mais barato para os editores.

José Afonso Furtado na Visão

Pode ser lido a partir de hoje, na pág. 18 («Radar: Entrevista») da revista Visão, uma entrevista de Sara Belo Luís a José Afonso Furtado, para apresentação da obra A Edição de Livros e a Gestão Estratégica, por nós publicada.

Para encomenda directa do livro, com 10% de desconto e oferta de portes de envio, enviar e-mail para: encomendas@booktailors.com.

LeYa vende mais 20% nas Feiras do Livro

«As Feiras do Livro deste ano foram um "grande sucesso" para a Leya que conseguiu vender mais de 108 mil livros em Lisboa e Porto, o que garantiu ao grupo de Miguel Pais do Amaral uma facturação superior a um milhão de euros nestes dois eventos. »

Ler aqui.

Oficina do Livro publica finalistas da edição do prémio LeYa 2008

Murilo de Carvalho venceu a edição de 2008 do Prémio, tendo a obra sido publicada sobre a chancela LeYa. Agora a Oficina do Livro, também do grupo LeYa, vem anunciar que irá publicar um dos finalistas deste prémio: Alejandro Reyes.

Mais informações no blogue da editora.

O Livro em Mudança

Este texto, assinado pelo famoso Peter Olson − que durante cerca de 10 anos geriu o braço americano da Bertelsmann (Random House) − e Bharat N. Anand – professor Estratégia e Gestão de Empresas na Harvard BS – reflecte sobre a reacção dos editores ao desenrolar do processo Kindle, alertando para o facto de os editores estarem demasiado preocupados com os assuntos errados – esquecendo-se que pode ocorrer o mesmo que aconteceu na indústria da música.

Em vez de temerem a canibalização do mundo digital, deveriam estar preocupados com as alterações que irão inevitavelmente ocorrer, adaptando-se para este novo mundo.

«The real issues are:

1. How can we enhance the reader’s overall experience—not just reading, but browsing, purchasing and library-building, and not just through print or digital media, but through a combination of both?

2. How can we create pricing options that will increase demand for books and offset the decline in book readership?

3. How can we build a new business model that is attractive to authors and sufficiently profitable for publishers and online retailers?»

Ler aqui.

Ninguém é obrigado a usar o Gmail, diz Cerf

Vinton Cerf , um dos «pais da Internet» dá aqui a sua opinião sobre o kindle, a possível compra do New York Times pela Google e a utilização do Gmail.

Francisco «Paco» Porrúa

À primeira vista, o nome poderá não dizer grande coisa, mas se dissermos que é o editor de Cem anos de Solidão (e Rayuela), o caso muda de figura:

«Y en qué contribuyó usted a que Cien años de soledad mejorara como texto?
-Absolutamente en nada. No sugerí ningún cambio.

Y con Rayuela?
-Con Rayuela tampoco. La única vez que con Cortázar sugerí algo fue con Los premios y creo que me equivoqué. Por eso el editor tiene que tener mucho cuidado. En esa novela, aparecían unos personajes que subían a un barco y pertenecían al pueblo común de Buenos Aires, pero cuando llegaban al puerto empezaban a hablar de Schönberg, de la pintura cubista... Eran unos cerebros realmente iluminados, y se lo dije a Julio: le dije que eso me resultaba un tanto inverosímil. Y Julio me dijo que lo tuvo en cuenta. Pero creo que me equivoqué porque allí había un efecto cómico, un efecto de humor que estaba bien ahora que lo pienso. No importaba la verosimilitud en ese libro, la verosimilitud de la vida cotidiana. Importaba, como siempre importa, la verosimilitud del relato. La verdad literaria del texto.»

Ler aqui a entrevista a Francisco «Paco» Porrúa. Via Moleskine Literário.

Foto tirada daqui.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Editoras portuguesas na Amazon

Na decorrência da publicação do post sobre a presença da Booksmile na mega e-livraria Amazon.com, e onde o seu editor, Manuel de Freitas, refere a inexistência de outras das editoras nesse espaço (aqui), vem o Centro Atlântico informar-nos de que já se encontra naquele espaço há cerca de 2 anos.

Inicialmente a Centro Atlântico teve uma loja própria na Amazon.com (procurar por «centro atlantico»), mas actualmente utiliza um distribuidor local, o que acarreta que os preços sejam bem mais altos do que o que seria normal.

Recordamos que a Centro Atlântico é a primeira editora a publicar eBooks (desde 1999), líder nos eBooks não escolares, e mais indicamos que passará brevemente a disponibilizar eBooks via Amazon.

Alguns dos livros na Amazon aqui e aqui.

O protótipo de display flexível da HP

Este tipo de tecnologia, muito vista em filmes futuristas de ficção científica, está cada vez mais perto de tornar-se uma realidade. A HP apresentou este display, que usa menos 90% de material do que um LCD.


Ver aqui.

Apresentação da biografia de Eça de Queirós

A apresentação desta obra, da autoria de Maria Filomena Mónica, contará ainda com a participação de António Sousa Homem e Francisco José Viegas. Numa homenagem ao Maestro Cruges, personagem de Os Maias, serão servidas queijadas de Sintra e licores. Hoje às 18h30, na Bertrand do Chiado, em Lisboa.

Ver aqui.

Prémio Arcebispo Juan de San Clemente

Henning Mankell venceu o XV prémio galego Arcebispo Juan de San Clemente, com a obra Kinessen, publicada pela Editorial Presença, no valor de 3000 euros. Mankell junta-se assim a nomes como Paul Auster, Mario Vargas Llosa, José Saramago, Carlos Fuentes e Haruki Murakami, entre outros, como vencedores deste prémio. Ver aqui.

Poesia Incompleta no estrangeiro

Na «triste Lisboa» o escritor norte-americano Suketu Metha conheceu uma livraria pela qual teve de escrever não um livro (por ora), mas um artigo. Trata-se da Livraria Poesia Incompleta, e o artigo saiu agora no jornal italiano L'espresso. Ler aqui.

«As Revistas de Portugal» na Hemeroteca de Lisboa até Julho

«No âmbito dos 120 anos da criação da Revista de Portugal, de Eça de Queirós, a Hemeroteca Municipal de Lisboa (HML) está a acolher a exposição bibliográfica "As Revistas de Portugal na Imprensa Periódica (séc. XIX e XX)".»

Ler no Diário Digital.

Bairro do Livro

A Câmara Municipal do Porto, na figura do vereador da cultura, terá aceitado presidir a reunião com vista a acelerar a criação do Bairro do Livro, na cidade do Porto (composta pelas 23 livrarias existentes na parte superior do centro da cidade, entre os Aliados e Miguel Bombarda/Cedofeita).

São várias as propostas em cima da mesa, com o objectivo de dinamizar o espaço, nomeadamente: «almoços de fim-de-semana com escritores, recuperando a tradição das tertúlias; publicação de uma revista com sugestões de leitura feitas por autores; menus gastronómico-literários nos restaurantes da zona (à sugestão do "chef" corresponderia uma sugestão de um escritor); lançamento de um cartão de descontos para famílias de leitores, em ligação com o Plano Nacional de Leitura e com outras instituições culturais da cidade; leituras e dramatizações de obras literárias; e venda de livros na rua.»

Via Público/ J. Jorge Marmelo (aqui).

Amazon abre mercado a outros leitores de eBooks

Com o aparecimento do Kindle, o costume de ler eBooks começou finalmente a ganhar raízes. Na sequência desta «abertura» do mercado, outras empresas criaram também os seus leitores de eBooks, denominados «genéricos».

Ler aqui.

Prémio Príncipe das Astúrias de Letras

Ismael Kadaré, vencedor do Prémio Booker Internacional, em 2005, é o vencedor da edição deste ano do Prémio Príncipe das Astúrias de Letras. Ler aqui e aqui.

«O escritor albanês Ismail Kadaré foi distinguido com o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras 2009. O trabalho do autor de O Palácio dos Sonhos foi destacado pelo júri que atribui o galardão “pela beleza e o profundo compromisso da sua criação literária”.»

O autor é publicado em Portugal pelas Publicações Dom Quixote, estando disponíveis O Palácio dos Sonhos (1992), A Pirâmide (1994) Abril Despedaçado (2002), A Filha de Agamémnon e o Sucessor (2008) e o livro de ensaios ensaio Três Cantos Fúnebres pelo Kosovo (2002).

Ler no Público.

O novo livro de Miguel Sousa Tavares é um quase romance ou não?

É o que o Senhor Palomar pergunta, tendo em conta um desencontro de informações entre a página online e a newsletter enviada por parte de uma livraria online. A editora chama-lhe «quase romance» (possivelmente a pedido do autor), a livraria «romance». «Em que ficamos?»

Book Expo America, por Isabel Coutinho

Aqui podemos ler o balanço que Isabel Coutinho faz da edição da BEA deste ano. Após uma síntese do tom geral da feira, Isabel Coutinho apresenta algumas das opiniões expressas acerca do futuro do livro, num texto publicado no suplemento «P2», do jornal PÚBLICO, no dia 2 de Junho de 2009.

Google poderá «destruir» o kindle

Com a entrada da Google no mercado dos eBooks, alguns auguram que este possa ser o fim do kindle.

Ler aqui.

Quo vadis codex?, por Miguel Conde (parte 5/5)


E agora?

Acreditamos que tudo o que seja de consulta tenderá a passar para o ambiente digital, havendo quem prefira um a outro suporte, e quem conviva com ambos, de acordo com as suas necessidades e interesses.

Já aqui falámos que o livro não é apenas o tangível, mas também uma ideia. E é uma ideia prática, hoje tendencialmente materializada em papel e tecnologicamente eficiente. Tudo isso, mais o natural conservadorismo humano, e o agradável cheiro do papel (quase sempre), fazem do livro impresso um objecto que irá conhecer muitas Primaveras.

Porém, o futuro dominante da escrita encontra-se sob a forma digital, em suporte que não o papel. Possivelmente, não será o caso da literatura mais nobre, mas será o de todos os outros textos escritos, que são já a maioria. Não será a leitura como a entendemos hoje, pois a forma enferma a experiência.

Tudo irá ser reinventado, mas sempre tendo em atenção a sua génese. As pessoas tratarão o livro com um tu irreverente, mas o livro será sempre o termo de partida para o que quer que seja que o venha a complementar.

O «ceci tuera cela» do corcunda de Victor Hugo ecoa em todas as discussões sobre o futuro do livro, sendo raramente referido que o corcunda se enganou, e parece cada vez mais enganado. O livro, democraticamente, estimula aqueles que o querem erradicar, ultrapassar e esquecer.

A possibilidade de uma nova criatividade, liberta de constrições físicas e da unidimensionalidade do livro, cria espaço para uma nova linguagem, e todas as linguagens pressupõem uma diferente estrutura de pensamento, mesmo que apenas marginalmente diferentes da original. A informação será mais coordenada, os diferentes tipos de textualidade conviverão e essa diversidade terá bom uso pela nossa sociedade, que cresce e se fortalece com as sinergias criadas por ela própria.

Há perdas no melhor dos progressos. A questão é saber se estas perdas são compensadas pelos ganhos. A investigação, a informação e a organização do conhecimento terão muito a ganhar com uma digitalização mais alargada e efectiva; mas o fruir do que associamos a um livro arquetípico não será compensado, nesta geração, por uma digitalização mais dominante; muito menos será a substituição de um livro como objecto.

A mudança a caminho da digitalização será um complemento do «nosso» livro e irá estimular potencialidades até agora ausentes, invisíveis ou mesmo latentes. Tal como na natureza, também na cultura nada se perde, tudo se transforma. O livro será o livro mas também outras coisas. Teremos ambos e estaremos mais contentes, com a permanência da ideia de felicidade mais perto, mais frequente. Teremos o zapping e os filmes, como diz Eco.

O digital vai dominar o mundo do livro em todas as fases do ciclo do texto. As restrições serão menores para a circulação da informação, com custos nulos ou residuais, e esta democratização impulsionará uma sociedade mais livre e justa.

É no futuro que encontraremos a solução ou a problematização do presente. Se é verdade que muitas vezes negligenciamos a importância da história, esta consiste, em boa parte, em explicar que somos o que somos porque fomos o que fomos, e por isso seremos o que seremos.

O fim do livro está anunciado há muito, a resistência prometida até ao fim. E o caminho está algures no meio.

«when everything is possible, nothing is foregone» (Nunberg, 1996: )

Bibliografia

CHARTIER, Roger
1997 A Ordem dos Livros, Lisboa, Vega.

DUGUID, Paul
1996 «Material Matters», The Future of the Book, ed. Geoffrey Nunberg, Berkeley, University of California Press.
Disponível em: http://www2.parc.com/ops/members/brown/papers/mm.html

ECO, Umberto
1996 «Afterword», The Future of the Book, ed. Geoffrey Nunberg, Berkeley, University of California Press.
Disponível em: http://www.themodernword.com/eco/eco_future_of_book.html

FERRIS, Sharmila Pixy
2002 «Writing Electronically: The Effects of Computers on Traditional Writing», in Ann Arbor, Michigan: Scholarly Publishing Office, University of Michigan University Library, Journal of Electronic Publishing, August, 2002.
Disponível em: http://hdl.handle.net/2027/spo.3336451.0008.104

FURTADO, José Afonso
2007 O Pixel e o Papel, Lisboa, Aríadne.

GANASCIA, Jean-Gabriel
1998 Le Livre électronique. Meudon: GIS Sciences de la Cognition.
Disponível em: http://www-apa.lip6.fr/GIS.COGNITION/livr1.html

HILLESUND, Terje
2005 «Digital Text Cycles: From Medieval Manuscripts to Modern Markup», in
Journal of Digital Information, Volume 6 Issue 1.

LYNCH, Clifford
2001 «The battle to define the Future of the Book in the Digital World», first Monday, Volume 6 number 6.
Disponível em: http://www.firstmonday.org/issues/issue6_6/lynch

NUNBERG, Geoffrey
1996 «Introduction», The Future of the Book, ed. Geoffrey Nunberg, Berkeley, University of California Press.
Disponível em: http://people.ischool.berkeley.edu/~nunberg/FOBIntro.html

ORMES, Sarah
2001 An E-book Primer. Networked Services Policy Taskgroup Issue Paper, Bath, UKOLN.
Disponível em: http://www.ukoln.ac.uk/public/earl/issuepapers/ebook.htm

terça-feira, 23 de junho de 2009

Aniversários redondos da Marvel e da DC

As duas maiores editoras americanas de banda desenhada celebram este ano um aniversário redondo.

Do lado da DC Comics, Batman celebra 70 anos de existência. No universo da personagem criada por Bob Kane, interpretada no cinema por Michael Keaton, Val Kilmer, George Clooney e o mais recente Christian Bale - não esquecendo a interpretação televisiva de Adam West – o 70.º ano de existência é marcado com a saga Battle For The Cowl, onde o «caped crusader» supostamente terá morrido, procurando-se agora um sucessor.

Já na editora concorrente, é a própria Marvel que faz 70 anos de existência, celebrando este aniversário com algumas capas e posters comemorativos. Veja aqui a lista das 70 melhores capas, ou aqui a lista dos 70 melhores livros, que a editora lançou nas suas sete décadas de publicações.

Tertúlias ART&CIÊNCIA

A Loja 107, numa co-produção com o Centro Cultural e Congressos (CCC), das Caldas da Rainha, realiza estas Tertúlias ART&CIÊNCIA, integradas na rúbrica Ciência Viva que ocorre no CCC. Assinalando o Ano Internacional da Astronomia, a próxima tertúlia será no dia 25, contando com a participação do Prof. Filipe Duarte Santos, professor catedrático de Física na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Ver aqui.

Livros da Booksmile à venda na Amazon

A Booksmile enviou uma nota de imprensa, na qual indica que os seus livros estarão disponíveis na Amazon. A Booksmile, conforme explica a nota, torna-se assim na primeira editora a estar presente na Amazon, tendo por objectivo servir as comunidades portuguesas espalhadas por todo o mundo: «Queremos que o livro português chegue a todos os leitores de português, onde quer que estejam. Para isso temos de recorrer à Internet. Há livrarias virtuais portuguesas a vender para todo o mundo, mas nenhuma tem a notoriedade da Amazon.com, com mais de 90 milhões de clientes.» Manuel Freitas, director-geral, deixa a pergunta: «Porque é que não há mais editoras portuguesas a vender através da Amazon?».

Nova Bertrand da Figueira da Foz

Fotos tiradas daqui.

Escrever, editar e ler na era digital

A não perder, hoje, às 18h30, na sala 2, da Culturgest em Lisboa, a 3.ª conferência de José Afonso Furtado sobre o tema «Escrever, editar e ler na era digital».

A entrada é livre e faz parte do ciclo «O livro na era da sua reprodutibilidade digital».

José Afonso Furtado é um dos maiores especialistas nesta matéria, tendo publicado recentemente A Edição de Livros e a Gestão Estratégica, que pode ser adquirido nas principais livrarias ou através deste e-mail: encomendas@booktailors.com.

As amigas de Tina Brown, por Isabel Coutinho

«Tina Brown, a antiga editora da “Vanity Fair” e da “The New Yorker” que desde há oito meses passou do jornalismo impresso para o jornalismo online (é “editor-in-chief” do “The Daily Beast” que fundou), tem amigas que aparecem nas festas com um Kindle debaixo do braço. Andam com ele (um aparelho que serve para ler livros electrónicos, comercializado pela Amazon) para todo o lado.»

Ler na íntegra aqui.

Boris Vian - perfil no La Vanguardia e obra completa publicada na Gallimard

Ler aqui.


O Senhor Palomar anuncia que a obra completa deste autor será publicada na Gallimard.

Vende-se por 70 euros colecção completa (32 números, 1990-93) da revista K em bom estado de conservação.

É o que nos indica um post do Da Literatura. Os interessados poderão contactar o mail geral daquele blog.

Os responsáveis do Da Literatura farão a ponte com o proprietário das revistas.

Cool-er, da Interead

Este novo leitor da empresa britânica é muito semelhante ao iPod, da Apple. O leitor terá um custo de 250 dólares, sendo mais barato, mais leve, mais fino e menor que o kindle, da Amazon.
Aqui.

Borders UK vende eBooks

Martyn Daniels fala sobre a entrada da livraria no mercado dos eBooks: «Some would say it is merely just another ebookstore and after all Waterstones has been selling ebooks for some 8 months and US retailers a lot longer. However, there is a difference and a significant one, for all the UK retailers who wish to sell digital books - it is powered by Gardners Books Digital Warehouse.»

Ler aqui.

Acordo entre a Hachette UK e a Amazon

A disputa entre as duas empresas parece finalmente ter chegado ao fim. Segundo Tim Hely Hutchinson, da Hachette, o acordo «resolves the issues between us in ways that are in keeping with the principles and aims of both parties». Com este acordo, a Amazon pode voltar a vender livros da Hachette no seu site, comprados directamente à editora.

Ler no site da Bookseller.
Via twitter JAF.
-
Consulte a oferta de formação da Booktailors na barra lateral do blogue: Curso de Marketing do Livro, pelos Booktailors.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Booktrailer: L. Ville, de Fernando Sobral (Quetzal)



Caso tenha problemas de visualização do vídeo (o sistema de vídeos do sapo tem algumas incompatibilidades com a blogger), clique aqui.

Guardador de Papéis

No próximo dia 24, às 18h30, será apresentado este volume, que recolhe os textos reelaborados de oito comunicações proferidas no ciclo de conferências «O Guardador de Papéis» (Casa Fernando Pessoa). Este ciclo esteve enquadrado nas celebrações dos 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa (1888-2008). A apresentação estará a cargo de Inês Pedrosa, contando ainda com a participação de alguns dos autores destas comunicações.

Caneta digital converte escrita manuscrita em linguagem digital

«A EBC, que comercializa as e-pens em Portugal, lançou a Mobile Notes, caneta digital capaz de converter a escrita manual em linguagem digital, passando-a para um ficheiro de imagem ou de texto.»

Ler no Diário Digital.

Biblioteca de Mértola promove concurso de conto e poesia

«A Biblioteca Municipal de Mértola está a promover um concurso de conto e poesia, com o objectivo de contribuir para a criação e consolidação dos hábitos de escrita e de leitura, estimular a escrita criativa e conhecer e divulgar autores da região.»

Ler no Diário Digital.

Fim de tarde pessoano

A organização do evento está a cargo do O Instituto de Estudos sobre o Modernismo (IEMO). Será exibido o filme de animação 28, de José Xavier, sendo ainda apresentado o último número da revista Mealibra, com um conto inédito de Pessoa, O Peregrino.

Primeira colaboração de Eduardo Pitta no PNET Literatura

O primeiro texto de Eduardo Pitta no PNET Literatura já está disponível, chama-se «Contra o preconceito», e pode ser encontrado aqui.

Festival Silêncio - Palestra «O Audiolivro - Uma nova forma de leitura»

Fotos tiradas daqui, via Facebook.

Os blogues, por José Saramago

«José Saramago diz que quanto mais blogues há na internet, "pior se escreve". Numa entrevista ao diário argentino El Clarin, em que falou do novo livro que recolhe os textos publicados no seu cantinho na blogosfera - O Caderno de Saramago - o Nobel português sublinha que "a existência de blogues levou a escrita até muito mais pessoas, que antes pouco ou nada escreviam. Pena que muitas delas achem que não é preciso preocupar-se com a qualidade da forma como se escreve".»

Ler no i.

50 melhores leituras de verão

O Independent apresenta o top de 50 leitura para este verão. Ver aqui a lista.

[Via Senhor Palomar]

Quem matou o general Zia?

Teses, sínteses, conspirações, matéria e anti-matéria. Tudo serve para participar no concurso promovido pela Porto Editora na comunidade Facebook, que pede aos leitores que «descubram» quem matou o general Zia (uma das personagens centrais de uma obra a lançar brevemente).

Brasil: LeYa à venda?

A Folha de S. Paulo publicou no passado sábado um artigo de Marcos Strecker, intitulado «LeYa em Xeque», no qual se avança que o Grupo LeYa estaria à venda.


Isaías Gomes Teixeira já negou este cenário.

Indie Alliance

Nas primeiras 16 semanas deste ano, as editoras que compõem a Indie Allience apresentaram um crescimento conjunto de 60%, nas suas vendas.

A editora Canongate, com a publicação dos dois livros do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi quem mais contribuiu para este valor: «Canongate, which published the two Obama books, has been the prime contributor to this growth, with sales volume up 338.2% and value up 249.6% on the same period, according to BookScan.»

Ler aqui.

O comércio electrónico do livro em Espanha

Com base num estudo realizado sobre o comércio electrónico, o blogue Paradigma Libro avalia o estado da comercialização do livro electrónico no país.

Para ler aqui.

A viagem do Elefante pelo mundo fora

Capa da edição do Brasil
Capa da edição da Catalunha

Capa da edição de Espanha

Capa da edição da Holanda

Capa da edição de Portugal

Quo vadis codex?, por Miguel Conde (parte 4/5)


O que será o livro

O livro que chegou aos nossos dias, sob a forma de codex, é por todos conhecido; mas como se define o que é um livro electrónico é motivo de ampla discussão. Para uns, é um romance escrito na Internet ou num processador de texto – ou mesmo um diário em e-mail, como diz Ormes (2001). Já Ganascia (1998) vem chamar a atenção para a própria associação de termos ser contraditória, pois livro e electrónico são duas coisas diferentes.

As perspectivas são múltiplas, há quem destaque o conteúdo ou quem dê mais peso ao meio, uns focam-se na associação ficheiro mais software, outros apenas no software.

Lynch (2001) diz que os livros digitais, como conteúdo, deveriam existir independentemente dos aparelhos que o suportam (i.e., o livro surge aqui como um conceito).

A verdade é que termos antigos sempre foram usados para novas realidades, o que não impede que estas o sejam. Todavia, se um livro é, antes de mais, uma ideia, não há necessidade de escalpelar a aparente contradição. Acreditamos que um livro electrónico, um e-book, poderá ser uma adaptação de um original em papel ou uma criação electrónica indirecta. Pode ser-se e-book por nascimento ou por naturalização. A forma que assumirá no futuro, o modelo definitivo (se vier a existir um) está ainda por definir, devido à grande variedade de software, hardware e extensões electrónicas. Pouco se sabe também sobre o que realmente se pretende obter como resultado final. E, provavelmente, o conteúdo determinará a forma, de modo a que seja melhor percepcionado pelo leitor. São esses modelos, para esses conteúdos, que prevalecerão. E enquanto a luta por aquele que será «o» formato se mantiver, a expansão do livro electrónico está ancorada em mar aberto.

A finalidade dos e-books não será substituir o livro tal como o conhecemos, mas sim expandi-lo (Furtado, 2007: 49); daí que assuma uma grande importância desenvolver um objecto físico cuja experiência permita mimar a de ter um livro nas mãos.

O livro-objecto não é colocado em causa com as opções electrónicas que têm aparecido. Outras condições técnicas poderão proporcionar o acesso a outros textos, mas, se há campo onde não poderão dominar, é no conforto e na caracterização do livro enquanto objecto. O livro beneficia de um contacto directo entre conteúdo e o seu fruidor, o que não se passa com outros produtos culturais. Deste modo, a literatura tem sido menos influenciada por outros meios de transmissão do que os catálogos ou directórios. Diferentes conteúdos implicarão diferentes modelos.

O livro arquetípico permanecerá como objecto físico e mental, e alvo de desvelo, mesmo que associado a uma elite cultural. Muitos de nós afeiçoaram-se ao objecto antes de chegar aos seus conteúdos.

No seio deste remexer tecnológico, fundamental nesta revolução, que de tão profunda se pode considerar inédita, talvez a face mais visível seja a questão do suporte. O futuro do livro passa em grande parte por aí. Porém, a forma que os textos podem assumir (muitos deles já presentes no nosso quotidiano) é central nesta discussão, pela mudança de paradigma que pode implicar, como é o caso da hipertextualidade.

O hipertexto, pelo seu carácter associativo e menos restrito, é por vezes considerado um passo libertador dos espartilhos da escrita sequencial e hierárquica. A liberdade da hipertextualidade não permite, por si só, uma melhor utilização das palavras, que, sendo de certo modo banalizadas, serão até menos cuidadas, pelo que o domínio da leitura hipertextual pode levar a uma desvalorização da palavra, a uma «desverbalização», como Furtado e Lynch chamam a atenção (Furtado, 2007: 63, 64) (Lynch, 2001).

A forma hipertextual que se afigura dominante é mais descontinuada em termos de estrutura do que conhecemos habitualmente, «é um formato para a representação não sequencial de ideias; representa a abolição da abordagem tradicional, linear da apresentação e processamento da informação» (Furtado, 2007:52). Tudo isso é uma estrutura mental, uma forma de o enquadrar, e que se demarca da forma linear presente no livro mais tradicional. A coordenação entre a integridade do livro e a mais-valia de se ver digitalizado e hipertextualizado, leva-o ao que se pode chamar de upgrade da sua existência, mas em que haverá perdas. O cruzamento de livros diversos, de diferentes partes de texto pelo leitor, cria uma unidade única, e faz do leitor, cada vez mais, um autor com base na criação alheia. O leitor que adapta o texto a si, ao que pretende, colabora na autoria de um outro texto que lhe chegou à mão. Cruzando-o com outros textos, cria novos. Esta nova forma de textualidade «opposes the standardization of language encouraged by the tradicional text» (Ferris), é mais interactiva, o que também implica um esforço diferente por parte do leitor, que assim se aproxima de ser escritor, estabelecendo com o escritor original um certo tipo de parceria. Os textos, os seus extractos, funcionam, assim, como notas musicais que o leitor compõe numa criação inédita.

Esta forma de criação põe em evidência uma oposição entre um modo de pensar linear e hierárquico e um pensamento associativo e sem limites; na verdade, um regresso a uma certa estrutura de pensamento oralizante, mais orgânica e fragmentada. E quando se fala da rigidez da informação aprisionada no livro, ignoramos que essa informação não existiria se não fosse estimulada pelo livro. A perda desta coerência é algo que caracteriza a contemporaneidade. A escrita hipertextual altera as convenções previamente estabelecidas pela literatura tradicional, e o trabalho de um texto hipertextual nunca está acabado, não tem uma versão definitiva, é o apogeu da pós-modernidade. Neste sentido, o hipertextual aproximar-se-á mais da forma de organização do pensamento humano, desenvolvendo processos de troca para lá dele mesmo. Nesta «nova» textualidade perde-se um pouco do leitor intensivo para reforçar o leitor extensivo, que abarca um pouco de tudo, mesmo que superficialmente. Esta é uma nova forma de ler, em que novas relações são estabelecidas com os textos. Estes conhecerão novos suportes e novas formas de abordagem.

A lineralidade analítica, que potenciou o desenvolvimento do conhecimento científico, é agora subestimada, e até vilipendiada, por quem a vê como um cabresto posto no Homem, e que encara a hipertextualidade como o seu Thomas Clarkson.

Raffaele Simone, citada por Nunberg, fala de um regresso à noção de livro medieval, como texto aberto, um objecto «penetrable, copiable, limitlessly interpretable». A questão é se estaremos dispostos a aceitá-lo de forma tão neutra, correndo o risco de ser despersonalizado. Tal como não aceitamos o redesenhar de um Picasso ou Van Gogh (que não seja em si uma expressão de arte). Haverá obras destinadas a isso, a serem refeitas, recriadas, mas não será esse o paradigma da literatura. Um Miró será sempre um Miró e ninguém o questiona. Talvez com a excepção de Landow, que diz «sooner or later no one will remember the closed and protected text»… mas o valor do que uma pessoa reconhecida pode criar será sempre valorizado como tal.

É evidente que há diferentes tipos de texto e de livros e, por isso, esperam-nos futuros diferentes de acordo com o que falamos. Isto é particularmente relevante em textos técnicos, e em publicações periódicas, nas quais o conhecimento é apresentado de modo mais descontínuo. O livro tornar-se-á obsoleto para esse tipo de utilizações. Para a literatura, será importante ver como se desenvolve a tinta e o papel electrónicos. Se o conforto visual acompanhar a praticabilidade, poderemos ver aí uma queda mais abrupta do livro tradicional, nas gerações que se seguem. Como diz Hillesund, «it is the reading phase of the text cycle that keeps paper going». O grande teste a esta tecnologia passará, antes de mais, pelos periódicos. As actualizações e adaptações estarão sempre disponíveis, o que permitirá acompanhar o ritmo contemporâneo e ler tudo em qualquer lugar. E aqui estimulamos a dependência da «rede». É evidente que, como estrutura de distribuição, a Internet tem vantagens que mais nenhum canal poderá alcançar, não há limites físicos nem de distância. Não há tiragens esgotadas, nem país demasiado longe.

Com o desenvolvimento tecnológico, o ciclo inteiramente digital será a norma. É provável, mas não sabemos se será uma norma dignificada. Os hieróglifos foram substituídos pela escrita hierática em textos burocráticos e cartas pessoais, mas, 2000 anos depois da criação da escrita hierática, os hieróglifos ainda eram utilizados em circunstâncias de maior solenidade. Mesmo hoje em dia, os relógios digitais são a norma, e as crianças mal sabem ler um relógio analógico. Contudo, os amantes do relógio-objecto apenas a este consideram um verdadeiro relógio. A máquina de escrever não acabou com o lápis, como previu o New York Times em 1938, tal como as lentes de contacto não acabaram com os óculos. Os objectos que cumprem de forma acabada a função para a qual se destinam apoiam-se nessa simplicidade para se salvaguardarem da erradicação.

Não podemos negligenciar a inscrição do livro na nossa sociedade, e na nossa mente, como um referencial. Um livro dura muito mais do que qualquer suporte digital até agora conhecido e, quanto mais não fosse por isso, a breve prazo a substituição não é só improvável como até absurda. O seu carácter analógico retira-lhe muito da sua fragilidade, como diz Bolter «books still represent the most economical, flexible, wash-and-wear way to transport information».
A ânsia por perder o livro no caminho que nos leva ao progresso, que parece perto da vista e longe do braço, aparenta estar firmada na necessidade de matar o símbolo de um nefasto sistema conceptual que esbarra, paradoxalmente, na necessidade de usar o próprio na sua desconstrução. O pós-modernismo assentou, em boa parte, na negação do passado e do próprio presente. Fazia-o repetidamente, um pouco como os coveiros do livro tangível o fazem hoje. Recorda a repetição das leis medievais, proclamadas cada ano, vez após vez, símbolo do seu manifesto incumprimento.