Jaime Bulhosa, da Pó dos Livros, deixa no blog da livraria a sua opinião quanto à duração da feira do livro de Lisboa. O post tem o título de "É demais".
«21 dias de feira do livro. Não quero fazer o papel de coitadinho, mas é demais…Não é bom para quem trabalha na feira, que normalmente faz desse trabalho uma extensão do seu emprego para ganhar mais uns trocos e que por causa disso fica sem folgas durante um mês. Não é bom para os editores, que vêem as despesas acrescidas com custos de pessoal e não são compensados com as vendas miseráveis durante os dias de semana. E não é bom para os livreiros (porque impedidos de participar na feira por causa de uma cláusula inventada pelos editores da APEL, que diz: não se pode vender o mesmo livro em dois stands diferentes), que não vendem durante mais de um mês e mantêm as despesas. Não é bom para os livreiros, editores e distribuidores, porque a diminuição das vendas de livros nas livrarias se prolonga muito para além da feira.
Será bom para o público?
Uma certeza eu tenho: tantos dias de feira e o exagero nos descontos praticados (muitas vezes sem ter em conta a lei do preço fixo) servem para criar a percepção, entre o público, de que, durante o resto do ano, o preço dos livros se baseia na especulação, não dependendo do seu custo real.
Proponho: apenas duas semanas de feira do livro e abertura às 10 horas da manhã durante os fins-de-semana. Tempo mais que suficiente para que se realize a festa do livro e para que o público consiga disponibilidade para lá se deslocar»
na montra
Há 2 horas


2 comentários:
Bom, tenho criticado por aqui a APEL e ainda nem sequer conhecia essa cláusula. contra os livreiros. Como pode a APEL ter a lata de pretender representar os livreiros? E como é que uma feira de livreiros acabou subjugada por editores?
Sinceramente não percebo o que é que os livreiros estão à espera para partir para a ofensiva e bater onde doi mais: nos subsídios.
E formem uma associação independente. A não ser que queiram mesmo morrer uma morte não tão lenta como isso.
Essa é que é a grande questão. Os livreiros (à excepção das grandes redes livreiras e de uma ou outra livraria independente)estão nessa posição porque querem e porque não têm sabido organizar-se num movimento associativo autónomo. Aliás, nem sequer têm sido capazes de se modernizar apesar de uma Lei do Preço Fixo do Livro criada há mais há cerca de 20 anos especialmente para os proteger das grandes superfícies. Têm-se posto a jeito na posição de elo mais fraco e as editoras agradecem.
Mas muito cuidado com a vitimização dos livreiros. No negócio do livro eles ainda são os que assumem menos riscos. O que não conseguem vender, devolvem às editoras, eliminando muito prejuízo, fazendo-o recair sobre as editoras (e quando as editoras não conseguem vender, os livreiros estão-se borrifando). E uma média de metade do preço da capa dos livros fica para os livreiros. Os outros 50% ficam nas mãos dos editores, e é de onde devem sair os direitos de autor, os custos de produção e os custos de distribuição. Em regra, uma editora fica com cerca de 5% do preço de capa como lucro líquido. O que, dependendo da perspectiva de cada um (entenda-se para a maior parte dos negócios), é muito pouco para os riscos que o negócio implica.
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