sexta-feira, 18 de junho de 2010

Opinião: Considerações gerais sobre a BookExpo America (Parte II), por Pedro Miguel Martins

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A BOOKEXPO AMERICA (BEA) (parte II),
por Pedro Miguel Martins (*)


3. E-BOOK: NÃO SEJA TECNOFÓBICO!

Há um sentimento generalizado de que as coisas estão a mudar no universo editorial. Numa das conferências, Nick Bilton, jornalista do The New York Times Bits Blog, defendeu a ideia de que existe hoje no mundo editorial um medo irracional das novas tecnologias, e ilustrou essa ideia, em tom jocoso, relatando a preocupação do New York Times, em 1876, de que o telefone haveria de ditar a morte da música ao vivo! Assim, a indústria do livro não deve viver de forma tecnofóbica, mas deve antes aproveitar as oportunidades.

Exemplo disso foi o fórum «DigitalBook2010, Where the digital book industry convenes», que reuniu os principais agentes ligados ao livro digital. Embora a participação nas conferências desse fórum fosse restrita, foi possível ter uma ideia sobre o tema visitando os stands expostos da quantidade de interessados na disputa deste mercado, apresentando aos editores plataformas e software para a leitura e uso dos e-books. Destaquemos dois exemplos: o BLIO, um software de leitura de e-books que, entre muitas ferramentas, permite a anotação, a partilha de notas e vídeos nos livros. O BLIO está disponível nas diversas plataformas, como iPod, iPad, Android, Windows e Mac, e é gratuito para o utilizador que o pretende descarregar. O outro exemplo interessantíssimo foi a apresentação da Live Ink, que, partindo de uma longa investigação acerca da forma como lemos e assimilamos o conteúdo da leitura, apresenta uma solução inovadora de formatação da mancha de texto em dispositivos digitais. Vale a pena ver o sítio Web.

Houve ainda espaço para a apresentação de soluções de apps para telemóveis, cujo uso está em forte crescimento. Assim, neste espaço pretendeu discutir-se as oportunidades destas soluções tecnológicas aplicadas ao universo editorial, com um foco especial na forma como os editores estão a usar as apps para promoverem os seus livros e até possibilitarem a venda e a distribuição de conteúdos.

De notar que não esteve presente na BEA a Amazon com o seu Kindle; esperava, aliás, encontrar algumas marcas a promoverem os seus e-readers, mas isso não aconteceu.

4. PODIA VIVER SEM O TWITTER OU O FACEBOOK?

Construir robustas comunidades on-line de leitores é um veículo crucial para autores, editores e livreiros terem visibilidade na Internet — mas como saber se estão no caminho certo? Estar presente no Twitter ou no Facebook implica saber como usar essas ferramentas de modo a passar a mensagem que se deseja, mantendo as pessoas despertas e interessadas. Os autores têm um papel preponderante no uso destas redes sociais para um maior contacto com os seus leitores. Porém, cuidado com o que se escreve ou se revela nesses meios! O assunto de conversa deve ser o universo à volta do livro e do autor, e não outros temas que possam desviar a atenção daquilo que se quer promover.


(*) Pedro Miguel Martins é licenciado em Design Visual pelo IADE desde 2003, exercendo a sua profissão no grupo r/com — renascença comunicação multimédia. Em 2006, concluiu o curso de especialização para Técnicos Editoriais na FLUL. É ainda fundador e editor da Letras d’Ouro.
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