sexta-feira, 11 de junho de 2010

António Manuel Couto Viana, por Eduardo Pitta

«Morreu ontem [terça-feira] António Manuel Couto Viana, poeta, contista e dramaturgo, autor de obra vastíssima, parte da qual coligida em dois volumes (e 1090 páginas) organizados por Fernando Pinto do Amaral, publicados em 2004 pela Imprensa Nacional: 60 Anos de Poesia. Conotado com a direita mais conservadora, os seus livros — o mais recente dos quais, a colectânea de poemas autobiográficos Ainda Não, saiu há dois meses — eram, por norma, silenciados pela imprensa cultural. A genealogia entronca em Garrett, Nobre, Pascoaes, Afonso Lopes Vieira, António Sardinha e Malheiro Dias. Sobre ele escrevi mais de uma vez nas revistas Colóquio-Letras e LER. Há dez anos, a Ática publicou uma antologia sua, Sou Quem Fui (2000), posfaciada por João Bigotte Chorão. Editada para assinalar 50 anos de vida literária, essa antologia colige 120 poemas (entre líricos e épicos) seleccionados a partir dos 27 livros de poesia que publicou entre 1948 e 1998. Escrevi então: "É como se o autor, baralhando poemas da juvenília com os da maturidade, nos devolvesse um livro outro. Um livro desatado ao sabor da memória." (cf. Comenda de Fogo, Temas & Debates, 2002, pp. 214-5) Um homem que, contra a corrente, foi capaz de compor poemas a partir da "emoção patriótica". Caso único na idade contemporânea portuguesa.» Ler no Da Literatura.
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