quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2008, pelos críticos do suplemento Actual do Expresso

«Infelizmente, no que toca a 2008, o óbvio chega tingido de negro. Num só ano, desapareceram Luiz Pacheco, Maria Gabriela Llansol, Dinis Machado e António Alçada Baptista. Acrescentem-se ainda as mortes de Rogério Mendes de Moura (fundador da Livros Horizonte), de Joaquim Figueiredo Magalhães (que criou e dirigiu a magnífica Ulisseia), sem esquecer a do jornalista cultural Torcato Sepúlveda, e a conclusão só poderia ser que 2008 levou demasiados.»

Ana Cristina Leonardo

«Este ano, as editoras de qualidade continuaram a publicar os seus livros com o nível do costume, e as outras também. Contas feitas, os livros ainda serão um dos melhores negócios para o consumidor em tempo de crise.»
Luís M. Faria

«Não se pode dizer do ano que finda que tenha sido parco em boas propostas de leitura.»
José Guardado Moreira

«Foi um ano de grandes traduções e de recuperação do tempo perdido. (...) Num mundo ideal, o grande sucesso editorial do ano teria sido Os detective selvagens, cuja publicação coincidiu com o eclodir do «fenómeno Bolaño» no mercado anglo-saxónico. Espera-se que tenha vendido o suficiente para permitir uma aposta da Teorema em 2666, a monumental obra póstuma de Bolaño. Pelo segundo ano consecutivo, o livro mais vendido em Portugal foi O segredo - um dado que demonstra estatisticamente a tese central do próprio livro: cada um tem aquilo que merece.»
Rogério Casanova

«Em 2008, colmataram-se algumas lacunas imperdoáveis na edição da literatura latino-americana em Portugal. (...) Apesar do lixo que entope as livrarias, houve muitas obras a mercer resgate da avalanche editorial.»
José Mário Silva

«A realidade portuguesa do livro está cada vez mais fracturada pela contradição entre o objecto-leitura - o real prazer de ler - e o objcto-mercadoria, que existe em função do mercado e que, como tal, é demasiado caro e vulnerável às contingências da crise. (...) O que aconteceu com ela [Byblos], irá certamente acontecer com outros. Editar e vender livros tornou-se numa espécie de Dona Branca: o retorno financeiro é cada vez mais especulativo, a máquina não pode parar e produz cada vez mais lixo.»
Vitor Quelhas

Actual (Expresso), 27.12.2008, pp.18-19.

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