A Booktailors, através de Nuno Seabra Lopes assinou recentemente um artigo na revista especializada de edição Texturas (número 6).
Como nem todas as pessoas têm acesso à revista, e porque gostaríamos que o público português tivesse acesso ao texto na língua original (sem o crivo da tradução), vamos publicar ao longo dos próximos cinco dias o referido artigo.
Em termos estatísticos, a língua portuguesa é falada por 240 milhões de falantes nativos (exceptuando a variante galega), aos quais se adicionam cerca de 5 milhões de falantes não nativos, sendo a 5ª mais falada do mundo e a terceira língua indo-europeia, atrás do castelhano e do inglês.
Tendo como mercados o Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e vários outros pequenos países, assim como uma diáspora de emigrantes e descendentes de emigrantes lusófonos, a língua portuguesa é, potencialmente, um dos mais seguros valores ao nosso dispor – ainda recentemente, o ministro da cultura português afirmava que o património do poeta Fernando Pessoa valia financeiramente mais do que a PT (principal empresa de telecomunicações portuguesa) − e prognostica para a edição portuguesa um futuro atraente para quem nele queira investir.
Foi com esta perspectiva em mente e com esse discurso que, desde finais de Março de 2007, foi apresentada ao público a estratégia subjacente ao movimento de concentração do Grupo LeYa, o novo actor que entrou de forma invulgarmente agressiva para este mercado em Portugal, deixando todo o sector em polvorosa.
Foram várias e emblemáticas as editoras adquiridas, mas a marca comum em todo o processo foi a forma rápida e simples como se concretizou.
Como foi tão fácil isso suceder e por que razão não tinha sucedido antes?
O mercado editorial português tem permanecido longe dos processos de concentração que marcaram a Europa e os EUA a partir de meados do século passado.
Mesmo após a adesão de Portugal ao projecto europeu, com a livre circulação de capitais e uma moeda única que favorecia os investimentos internacionais, o mercado do livro em Portugal permaneceu algo distante das modificações que se verificavam nos restantes sectores do país.
Desde sempre um mercado tradicional, associado à cultura e à política, era também um mercado composto mais por pessoas do que por empresas, por personalidades e formas de actuar em detrimento de objectivos empresariais e metas de crescimento.
O factor humano foi, assim, uma das razões que levou à continuidade de muitas formas de estar, impedindo associações e colaborações mais próximas, levando a controvérsias diversas que tinham mais a ver com os relacionamentos pessoais, do que com as necessidades comuns.
Da mesma forma, houve sempre um compromisso tácito que impedia práticas mais agressivas, como o roubo de autores ou directores editoriais e, quando tal sucedia, isso não era bem visto pelo sector.
(continua)
na montra
Há 2 horas


8 comentários:
Não existe mercado global de edição em português, e nunca existirá, se coisas obsoletas como a CPLP não forem transformada numa Commonwealth que funcione de facto. Veja-se o caso Moçambicano.
Ai a Commonwealth funciona!? Não sabia... qual é a fonte dessa preciosa informação? O Robert Mugabe?
A fonte de informação são os próprios moçambicanos. Por exemplo aqui: (entrevista ao diretor do Jornal O Observador, de Moçambique, Jorge Eurico) http://directoluso.blogspot.com/2007/09/moambique-entre-commonwealth-e-cplp.html)
Isso não é uma fonte de informação, é uma fonte de opinião.
E dizer que a Commonwealth se resume ao Mugabe é informar ou opinar?
Seria desinformar. E quem o disse?
E já agora, este blog é uma fonte de opinião ou informação? porque me parece que a primeira tem mais peso por aqui, mesmo quando vem com a capa da segunda
Caro anónimo,
caso não tenha observado, sempre que damos a nossa opinião colocamos em Tag essa mesma referência.
Dessa forma informamos todos os leitores quando se trata de uma opinião ou visão pessoal.
Este blog presta esse e mais serviços, como permitir aos leitores darem também a sua opinião (desde que nos limites da razoabilidade), motivos esses que, espero, sejam a razão pelo qual os leitores nos continuam a seguir.
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